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Qual a primeira coisa que te vem à mente quando falamos sobre o futebol e os grandes craques da bola? Muito dinheiro, glamour, fama, status e vários outros aspectos? É verdade, tudo isso está muito presente na vida de uma parcela dos atletas profissionais desse esporte, entretanto, eles são a minoria, principalmente no Brasil.    

Para se ter uma noção básica, no relatório divulgado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), em 2016, alguns dados apontaram que 96% dos jogadores regularizados no país recebem no máximo R$ 5.000 mensais entre salários e outros direitos. Dessa porcentagem, 85,40% recebem até R$ 1.000, uma realidade bem diferente da que conhecemos entre os profissionais das principais divisões do esporte. 

Apesar desses números assustadores, os sintomas relacionados à depressão, por exemplo, fazem parte do dia a dia dos atletas de quaisquer divisões, categoria, posição ou país. Os motivos e causas são amplos e podem ser atrelados, entre outras coisas, à pressão excessiva e à falta da presença familiar na vida dos jogadores. 

Fora das quatro linhas: as limitações sociais e profissionais 

Convenhamos, quase toda criança já sonhou em ser jogador ou jogadora de futebol. Ser a próxima Marta ou Ronaldo, ganhar o mundo com as chuteiras, fazer o gol do título. Até aí, tudo normal, nós merecemos e precisamos sonhar. O problema, entretanto, está no lado obscuro e pouquíssimo falado dessa carreira de “sucesso”.

Diferentemente do que acontece dentro de campo, nos bastidores existem muitos atletas com problemas de disciplina, uso excessivo de álcool e outras substâncias danosas à saúde física e psicológica do humano. E, nas últimas décadas, o número de jogadores que assumiram passar ou já terem passado por dificuldades envolvendo a depressão aumentou consideravelmente. E o que pode causar tudo isso?

Rápida e intensa: a carreira do jogador de futebol

Bom, os motivos são amplos e com uma reflexão mais aprofundada tudo pode fazer mais sentido. A carreira futebolística começa bem cedo, já na infância, com os clubes abrindo espaço para crianças de 12, 11 e até 10 anos. Esse é o gatilho inicial, já que grande parte desses jovens vão jogar em times de outras cidades e, na maioria das vezes, acabam morando no próprio centro de treinamento das equipes, longe de casa.

Os anos vão se passando, e até conseguirem ingressar na categoria profissional, com 16 ou 17 anos, os futuros craques já passaram por várias cidades, culturas e pessoas. Logo, esse quase adulto tem os sentimentos de pertencimento e familiar prejudicados já que, provavelmente, só chega a ver seus parentes entre 2, 3 ou 4 vezes por ano. 

Chegando ao possível estrelato e com a maioridade quase completa, os jogadores agora sofrem com uma pressão absurdamente elevada. Nos grandes clubes, geralmente, eles ganham a oportunidade quando o titular está contundido, suspenso ou muito abaixo de seu potencial, logo, o jovem já entra em campo com a responsabilidade de ser melhor do que o veterano que ele está substituindo. 

Se der certo e o futebol apresentado for de alto nível, ele passa a representar a esperança daquele time. Caso contrário, ele será emprestado para um time menor, certamente em outro estado ou cidade, até que esse atleta apresente um alto nível e volte a um clube maior ou passe a sua carreira entre times de 2ª, 3ª ou 4ª divisão. E lá se vai outra mudança (talvez o fim da carreira) drástica na vida de uma pessoa.

Se tudo caminhar positivamente dentro das quatro linhas, o atleta receberá mais fama, dinheiro e propostas para jogar na Europa. E, assim, viverá seu ápice. Em outro continente, longe de sua família e com uma pressão que já é ainda maior! Afinal, dessa vez um pênalti perdido pode acarretar em diversas coisas negativas para sua vida profissional e social.

Independentemente de como as coisas caminharem, é bem provável que acabe poucos anos depois, afinal, o jogador não consegue ficar em alto nível por muito tempo e vai seguir na profissão até, no máximo, os 35 a 40 anos. E depois? Uma vida inteira dedicada a esse esporte para, agora, não ter um caminho preciso para seguir. 

A depressão comprovada em números

Nós já vimos que motivos não faltam para que os atletas possam chegar a este estado, e existem pesquisas que comprovam isso e evidenciam o descaso dos clubes, principalmente brasileiros, em relação ao acompanhamento psicológico dos jogadores. 

A Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro), realizou uma pesquisa com 607 atletas em todo o mundo e o resultado foi alarmante: aproximadamente 40% dos futebolistas entrevistados já apresentaram sintomas relacionados à depressão e ansiedade.   

E o pior disso tudo é que os clubes ainda não dão a devida atenção à saúde mental dos atletas, que é tão importante quanto à física. No Brasil, até 2017 (3 anos após a realização da Copa do Mundo no país), apenas 6 clubes possuíam psicólogos trabalhando diretamente com os jogadores. Enquanto na Europa, entre as equipes de médio e grande porte, já é mais comum os times realizarem esse tipo de acompanhamento.

É uma cultura que ainda persiste em criar barreiras que dificultam a melhoria do bem-estar mental do jogadores. Algo que precisa ser revisto com urgência e que, inclusive, pode impactar diretamente no rendimento dentro de campo. Você sabe se o seu time de coração possui esses profissionais? Se não, você considera importante tê-los no clube? É hora de mudarmos esse panorama para o bem da saúde de todos e do nosso próprio futebol.  

Para conhecer um pouco mais sobre a importância de realizar acompanhamentos da saúde psicológica, clique aqui. E fique sempre ligado no nosso blog, tem sempre conteúdo novo e cheio de novidades sobre saúde e bem-estar.       

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