A terapia pode proporcionar mudanças na sua vida?

A terapia pode proporcionar mudanças na sua vida?

Logo de cara, podemos afirmar que sim, a terapia pode, e muito, causar impactos na sua vida e proporcionar mudanças de comportamento, pensamento, entendimento e muito mais. Contudo, é necessário ir um pouco mais a fundo para compreender como tudo isso pode acontecer.

Desde as mudan√ßas de h√°bitos ao autocontrole at√© a resolu√ß√£o de fobias, medos e outras disfun√ß√Ķes psicol√≥gicas mais simples ou complexas. O acompanhamento com os profissionais da psicologia pode realmente mudar a sua vida, e se engana quem pensa que ela s√≥ serve para casos mais extremos.

Qualidade de vida

Cuidar da sa√ļde mental √© viver com mais bem-estar, isso √© um fato! Mesmo para as pessoas que n√£o buscam o atendimento para tratar uma quest√£o espec√≠fica, como um problema enfrentado ou uma disfun√ß√£o psicol√≥gica, a terapia pode servir como instrumento de desafogo e regula√ß√£o em meio √† rotina.

Claro, o mundo parece estar mais agitado a cada dia, e, convenhamos, √© quase imposs√≠vel processar tudo que chega at√© n√≥s diariamente. Por isso, ter essa “v√°lvula de escape‚ÄĚ √© importante para a manuten√ß√£o da nossa qualidade de vida mental e, at√© mesmo, f√≠sica.

Afinal, mesmo de forma inconsciente e sem nem mesmo sentirmos, nossa mente pode acumular pensamentos e informa√ß√Ķes que, posteriormente, podem se manifestar de forma f√≠sica em nosso corpo, como dores de cabe√ßa e cansa√ßo excessivo, por exemplo.

Autoconhecimento    

Já te falei por aqui algumas vezes sobre autoconhecimento, e essa questão não é tão citada à toa, afinal, ela pode ser a base para a real transformação em sua vida. Quanto mais íntimos somos de nós mesmos, mais nos entendemos para descobrirmos medos, anseios, qualidades, defeitos, desejos, inseguranças, etc. 

E quando conhecemos tudo isso de dentro pra fora, conseguimos administrar todos esses sentimentos com mais tranquilidade e, até mesmo, sabedoria. Isso, consequentemente, nos dá o poder de fazermos escolhas, mesmo as mais incertas, com confiança, a agirmos com mais sabedoria em diversos conflitos e muito mais.

Autoestima e melhores relacionamentos

Se gostar e viver de bem consigo mesmo para, assim, viver de bem com as outras pessoas. Esse é um excelente caminho para quem deseja melhorar os relacionamentos interpessoais e com o seu próprio eu.

Potencializar sua autoestima, o que voc√™ entende de si mesmo, inclusive no aspecto f√≠sico, faz bem para al√©m das barreiras f√≠sicas do nosso corpo, essa a√ß√£o melhora nossa viv√™ncia e a forma como enxergamos o mundo e as pessoas nele.    

E, claro, a autoestima pode ganhar for√ßa com a ajuda da terapia. A partir das sess√Ķes, voc√™ pode ressignificar os bloqueios que n√£o lhe permitem se sentir bem na sua real ess√™ncia. 

Medos, fobias e outras disfun√ß√Ķes 

Al√©m de tudo que j√° foi falado, a terapia, claro, tem como funcionalidade a resolu√ß√£o de diversas disfun√ß√Ķes psicol√≥gicas, como medos excessivos, traumas do passado e muito mais, muito mais mesmo, desde casos mais leves aos mais intensos, os quais requerem um tratamento e acompanhamento mais agudo. 

Bom, poder√≠amos listar mais milhares de formas positivas em que a terapia impacta na sua vida, e assim como se d√° a abordagem terap√™utica, as transforma√ß√Ķes tamb√©m podem variar de acordo com cada pessoa e o que ela deseja com o atendimento.¬†¬†¬†Fato √© que, n√£o importa as circunst√Ęncias, procurar ajuda, al√©m de ser um direito, vai te fazer muito bem, podendo te proporcionar os resultados t√£o sonhados para sua vida. Para conhecer mais sobre tudo isso, clique aqui.

Você também pode agendar a nossa primeira conversa, basta clicar aqui.

Descubra a força da autocompaixão

Descubra a força da autocompaixão

A compaix√£o √© conhecida por praticamente todas as pessoas. Desde os prim√≥rdios da humanidade esse valor √© considerado digno e respeit√°vel, afinal, passa pela empatia de se colocar no lugar do outro, de sentir a dor do pr√≥ximo e  que se expande a fazer algo para ameniz√°-la ou se sentir feliz pela realiza√ß√£o de outras pessoas. 

Agora, quando falamos sobre a autocompaix√£o, o que vem √† sua cabe√ßa? Como o pr√≥prio nome j√° diz, essa a√ß√£o est√° relacionada √† forma como nos enxergamos em determinados momentos e circunst√Ęncias, bem como agimos de fora para dentro, diante de uma reflex√£o interna.¬†

Compaix√£o ou autocompaix√£o?       

Perfeito mesmo seria se tiv√©ssemos os dois na medida certa em nossas vidas. Ajudar o pr√≥ximo, desde a pessoa que mais amamos at√© um desconhecido, faz bem para n√≥s mesmo, inclusive para nossa sa√ļde psicol√≥gica.

Da mesma forma, quando nos colocamos como prioridade em determinadas situa√ß√Ķes, sabendo compreender nossos erros, por exemplo, tamb√©m √© essencial para o nosso bem-estar. Afinal, n√£o podemos colocar os demais indiv√≠duos como prioridade acima do nosso bem-estar, certo?

Ent√£o, quando aliamos a compaix√£o √† autocompaix√£o, o resultado √© positivo para os aspectos pessoais e sociais da vida, quando estamos de bem com n√≥s mesmos, √© mais f√°cil estarmos de bem com as outras pessoas tamb√©m. 

Existem formas de potencializar minha autocompaix√£o?    

Como diversas outras quest√Ķes atribu√≠das ao nosso aspecto psicol√≥gico, a autocompaix√£o tamb√©m pode ser trabalhada com a ajuda de profissionais da psicologia, j√° que seu desenvolvimento ou potencializa√ß√£o tem a ver, tamb√©m, com o nosso autoconhecimento.

√Č normal nos sensibilizamos mais com o sofrimento do outro do que com o nosso, ent√£o uma boa forma de se familiarizar com a autocompaix√£o √© imaginar: como voc√™ acolheria um amigo ou uma pessoa querida que estivesse passando pela mesma situa√ß√£o que voc√™?

Suponhamos que voc√™ tenha se atrasado para um compromisso muito importante porque o tr√Ęnsito estava ca√≥tico. Ao inv√©s de se culpar e acabar gerando um estresse e muita ansiedade por causa disso, pense se fosse o seu colega se atrasando por uma quest√£o que j√° n√£o dependia mais dele. Seria mais f√°cil de compreender, n√£o √©?

No meio das cobranças excessivas acabamos nos deixando de lado, nos martirizando e esquecendo de praticar a compaixão com a gente em si. Afinal, assim como qualquer outra pessoa, nós também sofremos, cometemos erros e passamos por momentos complicados.

Todos podemos e merecemos

Tudo isso vale tamb√©m para os bons momentos, achar que voc√™ n√£o merece determinada realiza√ß√£o √© nada ben√©fico. Assim como o pr√≥ximo, merecemos e devemos celebrar as pequenas e grandes conquistas.  

Praticar a autocompaix√£o √© saber passar pelos mais diversos momentos, extraindo o melhor deles e sabendo que somos exatamente como qualquer outro ser; possu√≠mos sentimentos semelhantes e falhas, aceit√°-las e entend√™-las √© a chave para uma vida mais saud√°vel e com paix√£o para os outros e para a gente.        

Que tal saber mais? Clique aqui e veja na √≠ntegra a minha entrevista com a Dra. Albina Torres sobre autocompaix√£o no meu canal do YouTube. E para conhecer ainda mais sobre sa√ļde e bem-estar psicol√≥gico, acesse: danielgabarra.com.br.¬†¬†¬†¬†

Por que o Janeiro Branco é importante para você?

Por que o Janeiro Branco é importante para você?

Voc√™ provavelmente deve estar sabendo que estamos no m√™s dedicado √† sa√ļde mental, denominado de Janeiro Branco. Mas sabe por que esse √© o m√™s escolhido e por qual motivo ele √© importante tamb√©m para voc√™?¬†

Hoje vou te contar tudo isso e um pouquinho mais! Fique ligado neste conte√ļdo in√©dito e j√° pode salvar o link para compartilhar com quem √© importante para voc√™, afinal, n√£o importa a √©poca do ano, ter sa√ļde psicol√≥gica √© sempre fundamental pra todo mundo! 

Por que janeiro? 

O que vem à sua mente quando falamos sobre o mês de janeiro? Início de ano, novos planejamentos, mudanças acadêmicas, profissionais e etc? Imagino que seja tudo isso e muito mais. Entretanto, todas essas coisas citadas não vêm sozinhas, não é mesmo?

Geralmente elas est√£o acompanhadas de ansiedade, estresse e uma vontade inexplic√°vel de querer fazer tudo e nada ao mesmo tempo, uma cobran√ßa grande de n√≥s por n√≥s mesmos e por outras pessoas. Tudo isso, claro, n√£o √© ben√©fico para nossa sa√ļde mental que, dessa forma, j√° come√ßa o ano prejudicada.

Para combater e fazer um grande alerta em rela√ß√£o a tudo isso, nada melhor que um m√™s todo dedicado ao bem-estar psicol√≥gico e √† sua import√Ęncia para a nossa qualidade de vida. Por esse motivo janeiro √© o m√™s escolhido! 

√Č poss√≠vel n√£o se fazer essa cobran√ßa todo in√≠cio de ano? 

Possível sempre é, mas, claro, não é fácil. Essas cobranças de ano novo são tão enraizadas que ressignificá-las pode ser uma missão um pouquinho mais difícil. Ter ajuda profissional para isso não é coisa de outro mundo, pelo contrário, pode ser fundamental para um ano mais saudável.   

Afinal, ainda estamos naquele clima de in√≠cio de ano, as coisas entrando na normalidade habitual aos poucos e algumas perguntas sem respostas ainda est√£o pairando em nossos pensamentos. 

E o primeiro passo é saber que isso é normal, afinal, para a maioria das pessoas o novo ano significa mais do que uma virada de calendário. Pode significar uma nova jornada profissional, uma nova fase nos estudos e na vida de maneira geral.

Lidar com tudo isso pode ser a chave para um come√ßo de 2021 mais tranquilo e, consequentemente, um ano inteiro mais pleno, seja dentro do seu roteiro tra√ßado ou n√£o. Ali√°s, saber que nem tudo ocorre como desejamos √© essencial para mantermos nossa estabilidade emocional. 

Ent√£o, sinta-se √† vontade para criar seu planejamento e, claro, n√£o criar! Seus novos desafios e imprevistos estar√£o acompanhados, tamb√©m, de novas conquistas que voc√™ nem poderia imaginar. A vida pode ser agrad√°vel de diversas formas, inclusive junto √†s incertezas. 

Janeiro Branco √© sobre isso 

Essa campanha vem para te lembrar que n√£o s√≥ agora, mas nos 12 pr√≥ximos meses, as coisas podem ser diferentes e com muito mais sa√ļde! Procurar ajuda psicol√≥gica n√£o √© algo ruim, pelo contr√°rio, √© um grande passo para uma vida bem mais saud√°vel e cheia de realiza√ß√Ķes.  

Viu? Este √© o tipo de conte√ļdo que vai ser legal guardar pra voc√™ e compartilhar com os amigos nos grupos. Para conhecer mais sobre sa√ļde e bem-estar psicol√≥gico, acesse: danielgabarra.com.br.¬†¬†¬†

A força do vínculo cliente-terapeuta: um relato de experiência

Este artigo buscou examinar o relato de experi√™ncia de um processo psicoterap√™utico em Brainspotting e foi feito por uma psic√≥loga de uma institui√ß√£o que atende pessoas em situa√ß√£o de vulnerabilidade econ√īmica. 

O envio do relato foi pré-requisito para o processo de seleção de bolsas de estudo para participar da fase 2 da Formação em Brainspotting. Para evitar a identificação do paciente e preservá-lo, seus dados serão alterados.

Sobre o Brainspotting:

Brainspotting é uma metodologia de base cérebro-corpo-relacional, desenvolvida e ampliada por David Grand, PhD e terapeuta nova-iorquino com vasta experiência em trabalho com traumas. Ela articula o conhecimento dos processos de memória e autorregulação cerebral com a expressão corporal e com a perspectiva relacional da psicoterapia para produzir o melhor resultado terapêutico. Isso promove a autonomia das pessoas sobre seu próprio processo de cura.

Por se tratar de uma terapia que d√° suporte ao processo natural de autorregula√ß√£o do sistema nervoso, os resultados se destacam quanto, ao tempo de resposta, a profundidade e a generaliza√ß√£o dos resultados alcan√ßados. 

Sobre a formação em Brainspotting e a Bolsa de Estudos:

A Forma√ß√£o em Brainspotting √© sistematizada no mundo todo a partir das diretrizes da Brainspotting Training Inc. No Brasil, uma das pessoas autorizadas para oferecer esse treinamento √© Daniel Gabarra. Ele √© graduado em psicologia pela UFSCar e sempre se preocupou com o compromisso social da psicologia. Devido a isso, foi oferecida a Bolsa de Estudos para a forma√ß√£o em Brainspotting, a fim de permitir o acesso dessa metodologia a popula√ß√Ķes que tradicionalmente n√£o teriam.¬†

Inicialmente, a bolsa era oferecida apenas a profissionais da psicologia vinculados ao SUS, SUAS e ONGs, mas em 2020 ela foi ampliada para psic√≥logos negros, transsexuais, ind√≠genas, entre outras popula√ß√Ķes que historicamente vivenciam a nega√ß√£o de seus direitos sociais1.

(nota de rodapé 1 do tipo parar sobre o 1 e aparecer o texto.) Para saber mais acerca do programa de bolsas, acesse: https://danielgabarra.com.br/bolsa

Relato de Experiência:

Ser√£o utilizados os registros feitos pela profissional em atendimentos realizados pelo Instituto Psicologia Para Todos, entidade sem fins lucrativos que atende pessoas em vulnerabilidade econ√īmica e social em Serra/ES. As frases entre aspas ora s√£o da psic√≥loga, ora da paciente.

A paciente, Ana J√ļlia (nome fict√≠cio), tem 55 anos, √© moradora de um bairro da periferia, casada h√° 38 anos e m√£e de duas filhas, uma com 34 e outra com 32 anos de idade. Ela trabalha como atendente de farm√°cia de um munic√≠pio vizinho, e exerce essa atividade em desvio de fun√ß√£o, j√° que foi contratada pela empresa de servi√ßos de limpeza como copeira.

O primeiro encontro foi realizado no Plant√£o Psicol√≥gico online. Neste momento, ela relatou que tem ‚Äúum quadro de depress√£o h√° mais de 30 anos, logo ap√≥s o nascimento da primeira filha. Come√ßou a ter tonturas, dores de cabe√ßa e no corpo, al√©m de nervosismo‚ÄĚ . Na ocasi√£o, ela foi levada para a Santa Casa de Miseric√≥rdia de Vit√≥ria/ES, tendo sido atendida por v√°rios m√©dicos no pronto atendimento. Segundo ela, ‚Äúfoi encaminhada para o neurologista e em seguida para um psiquiatra, sendo diagnosticada com depress√£o cr√īnica‚ÄĚ. Ela contou que fez tratamento psicoter√°pico com diversos profissionais, que n√£o percebia resultado e que, portanto, tinha interrompido tudo. 

A paciente relatou usar as seguintes medica√ß√Ķes: Clonazepam, Amitriptilina e Nortriptilina. Ela disse que ‚Äúusou 17 tipos de medica√ß√Ķes, n√£o lembrando dos nomes, mas afirma que eram muitos e foram diminuindo com o tempo‚ÄĚ.

Durante essa escuta inicial, ela se apresentou como uma pessoa bem humorada, com autocuidado e higiene preservados. Seu discurso, bem articulado, foi marcado por um tom depreciativo sobre si e sua vida. Repetiu v√°rias vezes que n√£o era capaz e que n√£o conseguia:  “tudo √© dif√≠cil comigo, nada d√° certo, n√£o vai mudar‚ÄĚ . Mesmo que em um tom de brincadeira, ela usou v√°rias vezes tais termos, enquanto falava e meneava a cabe√ßa como quem est√° negando.

Sobre as rela√ß√Ķes familiares, mantendo o mesmo tom, falou positivamente apenas da rela√ß√£o com as filhas, pontuando categoricamente: “pelo menos isso, n√©?”. Deixou claro a sua descren√ßa em mudan√ßas significativas na sua vida e nas pessoas ao pontuar que quando casou, ‚Äúachou que a vida seria diferente, por√©m, mesmo hoje que o esposo n√£o bebe mais, nem  joga, ela acredita que ele, na verdade, n√£o mudou. Ele √© assim porque ele est√° doente” .

Foi investigado se ela sofreu maus-tratos pelos pais na inf√Ęncia e no casamento. Ela relatou que foi maltratada pelos pais e pelo marido, ‚Äúque mentia muito, se envolvia com jogos, trazendo dificuldades para fam√≠lia e muitas discuss√Ķes, assim como ci√ļmes‚ÄĚ. A paciente negou ter sofrido agress√Ķes f√≠sicas e confirmou ter vivido agress√Ķes verbais e psicol√≥gicas constantes. Ao contar sobre isso, a paciente disse ‚Äúsentir muitas dores e uma ang√ļstia que n√£o tem explica√ß√£o‚ÄĚ. 

A terapeuta interveio com as quest√Ķes ‚ÄúA sua vida √© muito ruim? N√£o h√° nada de bom? Seu relacionamento com suas filhas √© ruim?‚ÄĚ, com o objetivo de fortalecer os aspectos positivos e de mudan√ßa relatados durante a sess√£o. A paciente foi encaminhada do plant√£o para um atendimento regular com a mesma profissional e orientada a fazer exerc√≠cios de respira√ß√£o como t√©cnica de relaxamento.

No segundo atendimento, a paciente, ao responder como tinha sido sua semana, utilizou uma frase negativa em um tom de brincadeira: “tudo √© muito dif√≠cil doutora, lidar com as pessoas, confiar, isso d√≥i muito, minha vida √© s√≥ sofrimento”. Nesse momento, foi sugerido o processamento em Brainspotting, no qual a psic√≥loga questionou em que parte do corpo a paciente sentia essas dores, ao que Ana J√ļlia responde: ‚Äúno corpo todo‚ÄĚ. Ela falava gesticulando e agitando muito bra√ßos e pernas.

Foi utilizado o manejo de Brainspotting de Janela interna, que prop√Ķe para o cliente identificar, com o aux√≠lio do terapeuta, uma dire√ß√£o dos olhos em seu campo visual com a qual o foco ou queixa (dor e sofrimentos) e a sensa√ß√£o corporal (dor no corpo todo) se intensificam, o que √© denominado brainspot ou posi√ß√£o ocular relevante. 

Esse processo visou favorecer a sustentação do foco na queixa, a fim de potencializar a auto varredura do cérebro-corpo e, com isso, auxiliar a regulação afetiva da rede de memória em foco. Também buscou-se como referência o nível de ativação da queixa, ou seja, o quanto ela se sentia mobilizada com a questão em uma escala de zero a dez, na qual zero é nenhuma mobilização/ativação e dez, a máxima que ela pode imaginar. Essa escala é uma adaptação da SUDS (Subjective Units of Distress Scale, em tradução livre: Escala de Unidades Subjetivas de Desconforto), proposta por Joseph Wolpe.

Ana J√ļlia relatou ter uma SUDS inicial de valor 10 e estava muito agitada ao come√ßar o processamento. Falou que a culpa era dela: “eu sou complicada mesmo, n√£o consigo”. Nesse momento, foi feita uma interven√ß√£o da terapeuta: ‚Äúporque que √© t√£o importante acreditar que voc√™ √© dif√≠cil?‚ÄĚ. Depois, a seguinte fala com o objetivo de psicoeduca√ß√£o: ‚Äúpermita que as lembran√ßas, pensamentos, coisas que voc√™ ouviu… n√£o √© porque voc√™ ouviu isso muitas vezes… que √© uma verdade absoluta, e que voc√™ pode mudar isso se quiser. Acolha o que vier nesse momento, seja gentil com voc√™, abrace voc√™ mesma. Sinta-se acolhida nesse momento‚ÄĚ.

A partir desse momento, a paciente entrou em um processamento mais profundo, com longos momentos de sil√™ncio e, com isso, p√īde-se observar que a agita√ß√£o foi diminuindo. Ela continuou balan√ßando a cabe√ßa, como foi descrito na primeira sess√£o, mas foi poss√≠vel perceber, aos poucos, um relaxamento do t√īnus do ombro e da postura da cabe√ßa. Com passar do tempo, o corpo estava com uma postura diferente e mais relaxada. Nesse momento, a terapeuta verificou o valor de SUDS e perguntou o quanto a quest√£o ainda mobilizava a cliente, que respondeu que estava em sete. Foi ent√£o sugerido que a paciente continuasse com olhar para aquele brainspot e ‚Äúacolhesse o que viesse naquele momento‚ÄĚ. 

Ao se aproximarem do do final da sess√£o, a paciente foi questionada novamente quanto ao valor de SUDS. Respondeu que era tr√™s e, com isso, foi proposta uma t√©cnica de respira√ß√£o em conjunto com a continuidade do manejo de Brainspotting de Janela Interna. Ap√≥s um tempo observando as mudan√ßas no t√īnus muscular, na diminui√ß√£o do menear da cabe√ßa e na respira√ß√£o, a terapeuta verificou novamente quanto isso a mobilizava a paciente, que respondeu ‚Äúque n√£o, que naquele momento ela estava tranquila, n√£o havia nada‚ÄĚ .

A sess√£o foi finalizada e foi explicado √† paciente que se ela sentisse ‚Äúalguma coisa‚ÄĚ,  poderia ficar √† vontade para contatar a terapeuta. Foi avaliado neste momento se a paciente estava bem para o fechamento da sess√£o, e ela ‚Äúfalou com tranquilidade que no in√≠cio foi muito dif√≠cil, mas que se sentia bem, sem entrar em detalhes‚ÄĚ .

Na terceira sess√£o, a paciente j√° apresentava uma postura muito diferente ao ser questionada se a semana havia sido boa. Ela falou que ‚Äúas pessoas em casa e no trabalho est√£o comentando que ela estava diferente. Ser√°, doutora?‚ÄĚ. Ao ser perguntada sobre o que ela achava, falou que ‚Äún√£o sabia, que era tudo muito dif√≠cil… que a vida √© muito dif√≠cil‚ÄĚ .

Disse que tinha algo muito importante para falar, ‚Äúuma lembran√ßa, que ela teve durante a semana, de algo que aconteceu na inf√Ęncia e que ela nunca havia falado com ningu√©m, mas que precisava falar… e sentia um desejo incontrol√°vel de falar sobre isso‚ÄĚ . A terapeuta explicou que ‚Äú√†s vezes essas coisas acontecem, √†s vezes as lembran√ßas n√£o v√™m na sess√£o, mas depois‚ÄĚ. Ent√£o, ela relatou que ‚Äúno dia seguinte √† sess√£o teve muita dor de cabe√ßa pela manh√£, mas que a dor foi diminuindo ao longo do dia e que tinha sido a melhor semana  sua vida‚ÄĚ. 

Continuou contando sobre uma tentativa  de abuso na inf√Ęncia. Ao relatar essas lembran√ßas, ficou muito agitada e se emocionou, ficando com os olhos vermelhos e chorando. Ana J√ļlia foi acolhida pela terapeuta, que lhe disse ‚Äúque n√£o tinha sido culpa dela, que o comportamento do tio… a responsabilidade pelo comportamento de um adulto √© sempre do adulto, nunca da crian√ßa, e que aquele comportamento n√£o tinha a ver com ela‚ÄĚ . 

A paciente se estabilizou e passou a contar sobre sua viv√™ncia com os pais e os irm√£os, que tamb√©m a agrediram f√≠sica e verbalmente: ‚Äúeu apanhava por tudo, tudo era responsabilidade minha, tudo era minha culpa‚ÄĚ. Falou de suas dificuldades de aprendizagem e de como isso era utilizado como motivo para apanhar sempre, e relatou que apanhava por ‚Äúqualquer outra coisa‚ÄĚ. Disse que era uma pessoa dif√≠cil. ‚ÄúComo confiar nas pessoas, mesmo nos irm√£os? Quando casei, esperava que seria diferente a vida, o que n√£o aconteceu”.

Foi questionado √† paciente onde ela percebia essa desconfian√ßa e inseguran√ßa no corpo. Disse que ‚Äúmobilizava muito, fazendo com que sentisse um peso muito grande nos ombros, mas tamb√©m outras partes do corpo‚ÄĚ. Questionada sobre o valor de SUDS, respondeu que 10. Nesse processamento, foi poss√≠vel perceber uma mudan√ßa significativa desde o in√≠cio. Em vez de falar ‚Äúquanto era dif√≠cil‚ÄĚ, s√≥ perguntou ‚Äúser√° que consigo?‚ÄĚ. Ao longo do processo, diminuiu o menear da cabe√ßa, o que sugeriu que estava mais relaxada. Ana J√ļlia pareceu mais entregue ao processamento, pois iniciou com um valor de SUDS dez e terminou com um zero. O valor zero persistiu mesmo quando lhe foi solicitado que entrasse em contato com qualquer mobiliza√ß√£o que a quest√£o ainda pudesse provocar nela. Ao final da sess√£o, ela disse que ‚Äúfoi muito bom, diferente da outra vez. Acho que √© muito bom poder falar com algu√©m dos problemas e do que aconteceu”.

Nos quarto e quinto atendimentos, foram realizados novos processamentos com Brainspotting, tendo como foco o sentimento de culpa da paciente. Sempre latente em seus relatos, esse sentimento foi trabalhado no contexto de suas preocupa√ß√Ķes relacionadas √† fam√≠lia, principalmente a sua irm√£, que estava doente e que n√£o podia, ent√£o, exercer o papel que costumava fazer de cuidadora da m√£e delas.

No sexto atendimento, a paciente parecia bastante animada. Contou espontaneamente sobre suas mudan√ßas, relatando que foi √† consulta com a psiquiatra e que a m√©dica observou diferen√ßa entre um atendimento e outro, como n√£o precisar da ajuda da filha para falar, pois n√£o chorava mais. A dosagem da medica√ß√£o foi reduzida pela psiquiatra. 

Ana J√ļlia refor√ßou como as pessoas do trabalho e da fam√≠lia continuavam percebendo essa diferen√ßa. Durante o atendimento, a paciente foi menos enf√°tica ao citar sua incapacidade, sugerindo uma mudan√ßa no padr√£o de comportamento, ‚Äúde se julgar uma pessoa dif√≠cil, de que tudo √© sua culpa e √© que as coisas n√£o mudam ou s√£o quase imposs√≠veis de mudar‚ÄĚ. A paciente falou de medo, inseguran√ßa, desconfian√ßa dos outros e de si mesma, entre outros sentimentos e comportamentos. 

 O manejo em Brainspotting, ao propor autorregula√ß√£o a partir da sintonia dual, potencializado pela posi√ß√£o ocular relevante, fortaleceu a alian√ßa terap√™utica estabelecendo a confian√ßa necess√°ria para o relato da mem√≥ria traum√°tica. A paciente chegou a afirmar que ‚Äúdesde a primeira vez, se sentia mais leve e conseguia falar de coisas que ela nunca havia falado para ningu√©m, e como √© bom fazer esse processamento sem precisar falar‚ÄĚ. 

A paciente continua sendo atendida pelo Instituto Psicologia Para Todos e, apesar de apresentar um quadro que sugere humor rebaixado, tem se apresentado bem humorada durantes as sess√Ķes, com insights positivos em rela√ß√£o a si e comportamentos mais adaptativos. Ela relatou que estar grata pelo atendimento, que passou ter confian√ßa no processo psicoter√°pico, e que estava satisfeita com o atendimento.

Alessandra de Freitas Dias de Jesus atua como Psic√≥loga Cl√≠nica, Terapeuta em Brainspotting; MBA em Servi√ßo Social e Pol√≠ticas P√ļblicas pela Faculdade C√Ęndido Mendes; P√≥s-Graduada em Sa√ļde Coletiva pela FAVENI; Fundadora do Instituto Psicologia Para Todos, uma ONG criada em 2017 com finalidade de tornar acess√≠vel o atendimento psicol√≥gico √†s pessoas em situa√ß√£o de vulnerabilidade econ√īmica e social; Atuou durante 2 anos e meio na Secretaria de justi√ßa do Estado do Esp√≠rito Santo (SEJUS). Hoje, al√©m do atendimento cl√≠nico no Consult√≥rio e no Instituto, √© Servidora P√ļblica (DT), atuando no CRAS do Munic√≠pio da Serra-ES. 

Daniel Gabarra √© especialmente um eterno aprendiz e acredita na melhora e cura tanto do sujeito quanto da humanidade. Nesse caminho ele se tornou Trainer em Brainspotting e PNL, Supervisor e Facilitador de EMDR, Especialista em Psicodrama, Terapeuta de AIM e constela√ß√£o, flerta com Ayurveda e √© graduado em Psicologia pela UFSCar.Tiago Noel Ribeiro √© psicoterapeuta. Atuou quase 10 anos em servi√ßos p√ļblicos de sa√ļde, atualmente se dedica a cl√≠nica e a pesquisa de doutorado.

Ambiente de trabalho e o cuidado psicológico

Ambiente de trabalho e o cuidado psicológico

Voc√™ sabia que, segundo dados da Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde, para cada 1 d√≥lar investido em tratamentos para transtornos mentais por empresas aos seus funcion√°rios, h√° um retorno 4 vezes maior em produtividade?¬†

E muito al√©m disso, cuidar do bem-estar psicol√≥gico dos colaboradores j√° √© visto como dever de milhares de institui√ß√Ķes pelo mundo, afinal, um ambiente negativo e outras quest√Ķes profissionais podem afetar a sa√ļde mental dos funcion√°rios!

Sa√ļde mental e economia    

Para se ter uma no√ß√£o, estima-se que 264 milh√Ķes de pessoas sofrem, por exemplo, com a depress√£o. E, claro, boa parte deste n√ļmero muito expressivo possui trabalho fixo, ou seja, essas pessoas convivem e trabalham diariamente com essa disfun√ß√£o psicol√≥gica

A√ß√£o que obviamente impacta diretamente no desempenho, conv√≠vio e produtividade profissional. Ainda em n√ļmeros, a OMS destacou que, por ano, a economia global perde 1 trilh√£o de d√≥lares por conta da diminui√ß√£o ou perda da produtividade causada, justamente, pela depress√£o.¬†¬†¬†¬†¬†¬†

E a sua empresa, ela se preocupa com o bem-estar psicol√≥gico dos seus colaboradores? Os l√≠deres do local onde voc√™ trabalha realizam a√ß√Ķes que proporcionam mais sa√ļde mental ou incentivam a busca pelo atendimento terap√™utico?

Bom, existem pesquisas e dados, como os apresentados aqui, que comprovam essa import√Ęncia, inclusive economicamente. N√£o √† toa, o n√ļmero de empresas que investem nessa quest√£o n√£o para de crescer. Em 2019, 49% das institui√ß√Ķes possu√≠am iniciativas de promo√ß√£o √† sa√ļde psicol√≥gica.¬†¬†¬†

O que demonstra essa import√Ęncia, sem falar que, nos dias atuais, de acordo com a Secretaria da Previd√™ncia, as disfun√ß√Ķes psiqui√°tricas s√£o a terceira causa mais comum de afastamento do trabalho.

Muito al√©m dos n√ļmeros e cifr√Ķes

Obviamente, essa quest√£o n√£o deve e nem pode possuir apenas relev√Ęncia na quest√£o financeira ou das estat√≠sticas, estamos falando da sa√ļde de seres humanos e nenhuma pode ter um valor estimado. 

As empresas devem sempre pensar na alian√ßa entre os seus pr√≥prios interesses e suas responsabilidades com as pessoas que dedicam boa parte de suas vidas ao trabalho prestado √†s institui√ß√Ķes.

Al√©m disso, em diversas ocasi√Ķes, o pr√≥prio ambiente de trabalho pode ser o causador de problemas psicol√≥gicos, desde um pequeno desgaste a disfun√ß√Ķes mais complexas. E se as empresas s√£o respons√°veis pela sa√ļde f√≠sica de seus colabores, deveriam, da mesma forma, se responsabilizarem e promoverem a sa√ļde mental.