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A força do vínculo cliente-terapeuta: um relato de experiência

Este artigo buscou examinar o relato de experi√™ncia de um processo psicoterap√™utico em Brainspotting e foi feito por uma psic√≥loga de uma institui√ß√£o que atende pessoas em situa√ß√£o de vulnerabilidade econ√īmica. 

O envio do relato foi pré-requisito para o processo de seleção de bolsas de estudo para participar da fase 2 da Formação em Brainspotting. Para evitar a identificação do paciente e preservá-lo, seus dados serão alterados.

Sobre o Brainspotting:

Brainspotting é uma metodologia de base cérebro-corpo-relacional, desenvolvida e ampliada por David Grand, PhD e terapeuta nova-iorquino com vasta experiência em trabalho com traumas. Ela articula o conhecimento dos processos de memória e autorregulação cerebral com a expressão corporal e com a perspectiva relacional da psicoterapia para produzir o melhor resultado terapêutico. Isso promove a autonomia das pessoas sobre seu próprio processo de cura.

Por se tratar de uma terapia que d√° suporte ao processo natural de autorregula√ß√£o do sistema nervoso, os resultados se destacam quanto, ao tempo de resposta, a profundidade e a generaliza√ß√£o dos resultados alcan√ßados. 

Sobre a formação em Brainspotting e a Bolsa de Estudos:

A Forma√ß√£o em Brainspotting √© sistematizada no mundo todo a partir das diretrizes da Brainspotting Training Inc. No Brasil, uma das pessoas autorizadas para oferecer esse treinamento √© Daniel Gabarra. Ele √© graduado em psicologia pela UFSCar e sempre se preocupou com o compromisso social da psicologia. Devido a isso, foi oferecida a Bolsa de Estudos para a forma√ß√£o em Brainspotting, a fim de permitir o acesso dessa metodologia a popula√ß√Ķes que tradicionalmente n√£o teriam.¬†

Inicialmente, a bolsa era oferecida apenas a profissionais da psicologia vinculados ao SUS, SUAS e ONGs, mas em 2020 ela foi ampliada para psic√≥logos negros, transsexuais, ind√≠genas, entre outras popula√ß√Ķes que historicamente vivenciam a nega√ß√£o de seus direitos sociais1.

(nota de rodapé 1 do tipo parar sobre o 1 e aparecer o texto.) Para saber mais acerca do programa de bolsas, acesse: https://danielgabarra.com.br/bolsa

Relato de Experiência:

Ser√£o utilizados os registros feitos pela profissional em atendimentos realizados pelo Instituto Psicologia Para Todos, entidade sem fins lucrativos que atende pessoas em vulnerabilidade econ√īmica e social em Serra/ES. As frases entre aspas ora s√£o da psic√≥loga, ora da paciente.

A paciente, Ana J√ļlia (nome fict√≠cio), tem 55 anos, √© moradora de um bairro da periferia, casada h√° 38 anos e m√£e de duas filhas, uma com 34 e outra com 32 anos de idade. Ela trabalha como atendente de farm√°cia de um munic√≠pio vizinho, e exerce essa atividade em desvio de fun√ß√£o, j√° que foi contratada pela empresa de servi√ßos de limpeza como copeira.

O primeiro encontro foi realizado no Plant√£o Psicol√≥gico online. Neste momento, ela relatou que tem ‚Äúum quadro de depress√£o h√° mais de 30 anos, logo ap√≥s o nascimento da primeira filha. Come√ßou a ter tonturas, dores de cabe√ßa e no corpo, al√©m de nervosismo‚ÄĚ . Na ocasi√£o, ela foi levada para a Santa Casa de Miseric√≥rdia de Vit√≥ria/ES, tendo sido atendida por v√°rios m√©dicos no pronto atendimento. Segundo ela, ‚Äúfoi encaminhada para o neurologista e em seguida para um psiquiatra, sendo diagnosticada com depress√£o cr√īnica‚ÄĚ. Ela contou que fez tratamento psicoter√°pico com diversos profissionais, que n√£o percebia resultado e que, portanto, tinha interrompido tudo. 

A paciente relatou usar as seguintes medica√ß√Ķes: Clonazepam, Amitriptilina e Nortriptilina. Ela disse que ‚Äúusou 17 tipos de medica√ß√Ķes, n√£o lembrando dos nomes, mas afirma que eram muitos e foram diminuindo com o tempo‚ÄĚ.

Durante essa escuta inicial, ela se apresentou como uma pessoa bem humorada, com autocuidado e higiene preservados. Seu discurso, bem articulado, foi marcado por um tom depreciativo sobre si e sua vida. Repetiu v√°rias vezes que n√£o era capaz e que n√£o conseguia:  “tudo √© dif√≠cil comigo, nada d√° certo, n√£o vai mudar‚ÄĚ . Mesmo que em um tom de brincadeira, ela usou v√°rias vezes tais termos, enquanto falava e meneava a cabe√ßa como quem est√° negando.

Sobre as rela√ß√Ķes familiares, mantendo o mesmo tom, falou positivamente apenas da rela√ß√£o com as filhas, pontuando categoricamente: “pelo menos isso, n√©?”. Deixou claro a sua descren√ßa em mudan√ßas significativas na sua vida e nas pessoas ao pontuar que quando casou, ‚Äúachou que a vida seria diferente, por√©m, mesmo hoje que o esposo n√£o bebe mais, nem  joga, ela acredita que ele, na verdade, n√£o mudou. Ele √© assim porque ele est√° doente” .

Foi investigado se ela sofreu maus-tratos pelos pais na inf√Ęncia e no casamento. Ela relatou que foi maltratada pelos pais e pelo marido, ‚Äúque mentia muito, se envolvia com jogos, trazendo dificuldades para fam√≠lia e muitas discuss√Ķes, assim como ci√ļmes‚ÄĚ. A paciente negou ter sofrido agress√Ķes f√≠sicas e confirmou ter vivido agress√Ķes verbais e psicol√≥gicas constantes. Ao contar sobre isso, a paciente disse ‚Äúsentir muitas dores e uma ang√ļstia que n√£o tem explica√ß√£o‚ÄĚ. 

A terapeuta interveio com as quest√Ķes ‚ÄúA sua vida √© muito ruim? N√£o h√° nada de bom? Seu relacionamento com suas filhas √© ruim?‚ÄĚ, com o objetivo de fortalecer os aspectos positivos e de mudan√ßa relatados durante a sess√£o. A paciente foi encaminhada do plant√£o para um atendimento regular com a mesma profissional e orientada a fazer exerc√≠cios de respira√ß√£o como t√©cnica de relaxamento.

No segundo atendimento, a paciente, ao responder como tinha sido sua semana, utilizou uma frase negativa em um tom de brincadeira: “tudo √© muito dif√≠cil doutora, lidar com as pessoas, confiar, isso d√≥i muito, minha vida √© s√≥ sofrimento”. Nesse momento, foi sugerido o processamento em Brainspotting, no qual a psic√≥loga questionou em que parte do corpo a paciente sentia essas dores, ao que Ana J√ļlia responde: ‚Äúno corpo todo‚ÄĚ. Ela falava gesticulando e agitando muito bra√ßos e pernas.

Foi utilizado o manejo de Brainspotting de Janela interna, que prop√Ķe para o cliente identificar, com o aux√≠lio do terapeuta, uma dire√ß√£o dos olhos em seu campo visual com a qual o foco ou queixa (dor e sofrimentos) e a sensa√ß√£o corporal (dor no corpo todo) se intensificam, o que √© denominado brainspot ou posi√ß√£o ocular relevante. 

Esse processo visou favorecer a sustentação do foco na queixa, a fim de potencializar a auto varredura do cérebro-corpo e, com isso, auxiliar a regulação afetiva da rede de memória em foco. Também buscou-se como referência o nível de ativação da queixa, ou seja, o quanto ela se sentia mobilizada com a questão em uma escala de zero a dez, na qual zero é nenhuma mobilização/ativação e dez, a máxima que ela pode imaginar. Essa escala é uma adaptação da SUDS (Subjective Units of Distress Scale, em tradução livre: Escala de Unidades Subjetivas de Desconforto), proposta por Joseph Wolpe.

Ana J√ļlia relatou ter uma SUDS inicial de valor 10 e estava muito agitada ao come√ßar o processamento. Falou que a culpa era dela: “eu sou complicada mesmo, n√£o consigo”. Nesse momento, foi feita uma interven√ß√£o da terapeuta: ‚Äúporque que √© t√£o importante acreditar que voc√™ √© dif√≠cil?‚ÄĚ. Depois, a seguinte fala com o objetivo de psicoeduca√ß√£o: ‚Äúpermita que as lembran√ßas, pensamentos, coisas que voc√™ ouviu… n√£o √© porque voc√™ ouviu isso muitas vezes… que √© uma verdade absoluta, e que voc√™ pode mudar isso se quiser. Acolha o que vier nesse momento, seja gentil com voc√™, abrace voc√™ mesma. Sinta-se acolhida nesse momento‚ÄĚ.

A partir desse momento, a paciente entrou em um processamento mais profundo, com longos momentos de sil√™ncio e, com isso, p√īde-se observar que a agita√ß√£o foi diminuindo. Ela continuou balan√ßando a cabe√ßa, como foi descrito na primeira sess√£o, mas foi poss√≠vel perceber, aos poucos, um relaxamento do t√īnus do ombro e da postura da cabe√ßa. Com passar do tempo, o corpo estava com uma postura diferente e mais relaxada. Nesse momento, a terapeuta verificou o valor de SUDS e perguntou o quanto a quest√£o ainda mobilizava a cliente, que respondeu que estava em sete. Foi ent√£o sugerido que a paciente continuasse com olhar para aquele brainspot e ‚Äúacolhesse o que viesse naquele momento‚ÄĚ. 

Ao se aproximarem do do final da sess√£o, a paciente foi questionada novamente quanto ao valor de SUDS. Respondeu que era tr√™s e, com isso, foi proposta uma t√©cnica de respira√ß√£o em conjunto com a continuidade do manejo de Brainspotting de Janela Interna. Ap√≥s um tempo observando as mudan√ßas no t√īnus muscular, na diminui√ß√£o do menear da cabe√ßa e na respira√ß√£o, a terapeuta verificou novamente quanto isso a mobilizava a paciente, que respondeu ‚Äúque n√£o, que naquele momento ela estava tranquila, n√£o havia nada‚ÄĚ .

A sess√£o foi finalizada e foi explicado √† paciente que se ela sentisse ‚Äúalguma coisa‚ÄĚ,  poderia ficar √† vontade para contatar a terapeuta. Foi avaliado neste momento se a paciente estava bem para o fechamento da sess√£o, e ela ‚Äúfalou com tranquilidade que no in√≠cio foi muito dif√≠cil, mas que se sentia bem, sem entrar em detalhes‚ÄĚ .

Na terceira sess√£o, a paciente j√° apresentava uma postura muito diferente ao ser questionada se a semana havia sido boa. Ela falou que ‚Äúas pessoas em casa e no trabalho est√£o comentando que ela estava diferente. Ser√°, doutora?‚ÄĚ. Ao ser perguntada sobre o que ela achava, falou que ‚Äún√£o sabia, que era tudo muito dif√≠cil… que a vida √© muito dif√≠cil‚ÄĚ .

Disse que tinha algo muito importante para falar, ‚Äúuma lembran√ßa, que ela teve durante a semana, de algo que aconteceu na inf√Ęncia e que ela nunca havia falado com ningu√©m, mas que precisava falar… e sentia um desejo incontrol√°vel de falar sobre isso‚ÄĚ . A terapeuta explicou que ‚Äú√†s vezes essas coisas acontecem, √†s vezes as lembran√ßas n√£o v√™m na sess√£o, mas depois‚ÄĚ. Ent√£o, ela relatou que ‚Äúno dia seguinte √† sess√£o teve muita dor de cabe√ßa pela manh√£, mas que a dor foi diminuindo ao longo do dia e que tinha sido a melhor semana  sua vida‚ÄĚ. 

Continuou contando sobre uma tentativa  de abuso na inf√Ęncia. Ao relatar essas lembran√ßas, ficou muito agitada e se emocionou, ficando com os olhos vermelhos e chorando. Ana J√ļlia foi acolhida pela terapeuta, que lhe disse ‚Äúque n√£o tinha sido culpa dela, que o comportamento do tio… a responsabilidade pelo comportamento de um adulto √© sempre do adulto, nunca da crian√ßa, e que aquele comportamento n√£o tinha a ver com ela‚ÄĚ . 

A paciente se estabilizou e passou a contar sobre sua viv√™ncia com os pais e os irm√£os, que tamb√©m a agrediram f√≠sica e verbalmente: ‚Äúeu apanhava por tudo, tudo era responsabilidade minha, tudo era minha culpa‚ÄĚ. Falou de suas dificuldades de aprendizagem e de como isso era utilizado como motivo para apanhar sempre, e relatou que apanhava por ‚Äúqualquer outra coisa‚ÄĚ. Disse que era uma pessoa dif√≠cil. ‚ÄúComo confiar nas pessoas, mesmo nos irm√£os? Quando casei, esperava que seria diferente a vida, o que n√£o aconteceu”.

Foi questionado √† paciente onde ela percebia essa desconfian√ßa e inseguran√ßa no corpo. Disse que ‚Äúmobilizava muito, fazendo com que sentisse um peso muito grande nos ombros, mas tamb√©m outras partes do corpo‚ÄĚ. Questionada sobre o valor de SUDS, respondeu que 10. Nesse processamento, foi poss√≠vel perceber uma mudan√ßa significativa desde o in√≠cio. Em vez de falar ‚Äúquanto era dif√≠cil‚ÄĚ, s√≥ perguntou ‚Äúser√° que consigo?‚ÄĚ. Ao longo do processo, diminuiu o menear da cabe√ßa, o que sugeriu que estava mais relaxada. Ana J√ļlia pareceu mais entregue ao processamento, pois iniciou com um valor de SUDS dez e terminou com um zero. O valor zero persistiu mesmo quando lhe foi solicitado que entrasse em contato com qualquer mobiliza√ß√£o que a quest√£o ainda pudesse provocar nela. Ao final da sess√£o, ela disse que ‚Äúfoi muito bom, diferente da outra vez. Acho que √© muito bom poder falar com algu√©m dos problemas e do que aconteceu”.

Nos quarto e quinto atendimentos, foram realizados novos processamentos com Brainspotting, tendo como foco o sentimento de culpa da paciente. Sempre latente em seus relatos, esse sentimento foi trabalhado no contexto de suas preocupa√ß√Ķes relacionadas √† fam√≠lia, principalmente a sua irm√£, que estava doente e que n√£o podia, ent√£o, exercer o papel que costumava fazer de cuidadora da m√£e delas.

No sexto atendimento, a paciente parecia bastante animada. Contou espontaneamente sobre suas mudan√ßas, relatando que foi √† consulta com a psiquiatra e que a m√©dica observou diferen√ßa entre um atendimento e outro, como n√£o precisar da ajuda da filha para falar, pois n√£o chorava mais. A dosagem da medica√ß√£o foi reduzida pela psiquiatra. 

Ana J√ļlia refor√ßou como as pessoas do trabalho e da fam√≠lia continuavam percebendo essa diferen√ßa. Durante o atendimento, a paciente foi menos enf√°tica ao citar sua incapacidade, sugerindo uma mudan√ßa no padr√£o de comportamento, ‚Äúde se julgar uma pessoa dif√≠cil, de que tudo √© sua culpa e √© que as coisas n√£o mudam ou s√£o quase imposs√≠veis de mudar‚ÄĚ. A paciente falou de medo, inseguran√ßa, desconfian√ßa dos outros e de si mesma, entre outros sentimentos e comportamentos. 

 O manejo em Brainspotting, ao propor autorregula√ß√£o a partir da sintonia dual, potencializado pela posi√ß√£o ocular relevante, fortaleceu a alian√ßa terap√™utica estabelecendo a confian√ßa necess√°ria para o relato da mem√≥ria traum√°tica. A paciente chegou a afirmar que ‚Äúdesde a primeira vez, se sentia mais leve e conseguia falar de coisas que ela nunca havia falado para ningu√©m, e como √© bom fazer esse processamento sem precisar falar‚ÄĚ. 

A paciente continua sendo atendida pelo Instituto Psicologia Para Todos e, apesar de apresentar um quadro que sugere humor rebaixado, tem se apresentado bem humorada durantes as sess√Ķes, com insights positivos em rela√ß√£o a si e comportamentos mais adaptativos. Ela relatou que estar grata pelo atendimento, que passou ter confian√ßa no processo psicoter√°pico, e que estava satisfeita com o atendimento.

Alessandra de Freitas Dias de Jesus atua como Psic√≥loga Cl√≠nica, Terapeuta em Brainspotting; MBA em Servi√ßo Social e Pol√≠ticas P√ļblicas pela Faculdade C√Ęndido Mendes; P√≥s-Graduada em Sa√ļde Coletiva pela FAVENI; Fundadora do Instituto Psicologia Para Todos, uma ONG criada em 2017 com finalidade de tornar acess√≠vel o atendimento psicol√≥gico √†s pessoas em situa√ß√£o de vulnerabilidade econ√īmica e social; Atuou durante 2 anos e meio na Secretaria de justi√ßa do Estado do Esp√≠rito Santo (SEJUS). Hoje, al√©m do atendimento cl√≠nico no Consult√≥rio e no Instituto, √© Servidora P√ļblica (DT), atuando no CRAS do Munic√≠pio da Serra-ES. 

Daniel Gabarra √© especialmente um eterno aprendiz e acredita na melhora e cura tanto do sujeito quanto da humanidade. Nesse caminho ele se tornou Trainer em Brainspotting e PNL, Supervisor e Facilitador de EMDR, Especialista em Psicodrama, Terapeuta de AIM e constela√ß√£o, flerta com Ayurveda e √© graduado em Psicologia pela UFSCar.Tiago Noel Ribeiro √© psicoterapeuta. Atuou quase 10 anos em servi√ßos p√ļblicos de sa√ļde, atualmente se dedica a cl√≠nica e a pesquisa de doutorado.

Ambiente de trabalho e o cuidado psicológico

Ambiente de trabalho e o cuidado psicológico

Voc√™ sabia que, segundo dados da Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde, para cada 1 d√≥lar investido em tratamentos para transtornos mentais por empresas aos seus funcion√°rios, h√° um retorno 4 vezes maior em produtividade?¬†

E muito al√©m disso, cuidar do bem-estar psicol√≥gico dos colaboradores j√° √© visto como dever de milhares de institui√ß√Ķes pelo mundo, afinal, um ambiente negativo e outras quest√Ķes profissionais podem afetar a sa√ļde mental dos funcion√°rios!

Sa√ļde mental e economia    

Para se ter uma no√ß√£o, estima-se que 264 milh√Ķes de pessoas sofrem, por exemplo, com a depress√£o. E, claro, boa parte deste n√ļmero muito expressivo possui trabalho fixo, ou seja, essas pessoas convivem e trabalham diariamente com essa disfun√ß√£o psicol√≥gica

A√ß√£o que obviamente impacta diretamente no desempenho, conv√≠vio e produtividade profissional. Ainda em n√ļmeros, a OMS destacou que, por ano, a economia global perde 1 trilh√£o de d√≥lares por conta da diminui√ß√£o ou perda da produtividade causada, justamente, pela depress√£o.¬†¬†¬†¬†¬†¬†

E a sua empresa, ela se preocupa com o bem-estar psicol√≥gico dos seus colaboradores? Os l√≠deres do local onde voc√™ trabalha realizam a√ß√Ķes que proporcionam mais sa√ļde mental ou incentivam a busca pelo atendimento terap√™utico?

Bom, existem pesquisas e dados, como os apresentados aqui, que comprovam essa import√Ęncia, inclusive economicamente. N√£o √† toa, o n√ļmero de empresas que investem nessa quest√£o n√£o para de crescer. Em 2019, 49% das institui√ß√Ķes possu√≠am iniciativas de promo√ß√£o √† sa√ļde psicol√≥gica.¬†¬†¬†

O que demonstra essa import√Ęncia, sem falar que, nos dias atuais, de acordo com a Secretaria da Previd√™ncia, as disfun√ß√Ķes psiqui√°tricas s√£o a terceira causa mais comum de afastamento do trabalho.

Muito al√©m dos n√ļmeros e cifr√Ķes

Obviamente, essa quest√£o n√£o deve e nem pode possuir apenas relev√Ęncia na quest√£o financeira ou das estat√≠sticas, estamos falando da sa√ļde de seres humanos e nenhuma pode ter um valor estimado. 

As empresas devem sempre pensar na alian√ßa entre os seus pr√≥prios interesses e suas responsabilidades com as pessoas que dedicam boa parte de suas vidas ao trabalho prestado √†s institui√ß√Ķes.

Al√©m disso, em diversas ocasi√Ķes, o pr√≥prio ambiente de trabalho pode ser o causador de problemas psicol√≥gicos, desde um pequeno desgaste a disfun√ß√Ķes mais complexas. E se as empresas s√£o respons√°veis pela sa√ļde f√≠sica de seus colabores, deveriam, da mesma forma, se responsabilizarem e promoverem a sa√ļde mental.   

As memórias que guardamos podem impactar em nossas vidas?

As memórias que guardamos podem impactar em nossas vidas?

√Č imposs√≠vel n√£o guardamos em n√≥s mesmos nada do que passamos na vida, sejam as coisas positivas ou negativas, de forma consciente ou inconsciente, acabamos, sim, armazenado essas viv√™ncias em nossa mente, a√ß√£o que pode acabar impactando em diversas quest√Ķes no futuro e no presente.¬†

Desde a nossa personalidade, jeito de agir, disfun√ß√Ķes f√≠sicas e psicol√≥gicas, fobias, medos, desejos e milhares de outras quest√Ķes podem estar relacionadas √†s mem√≥rias que guardamos, mesmo aquelas que consideramos inofensivas.

Por que isso acontece?

Isso √© muito comum, acontece com todas as pessoas, quase que literalmente. Afinal, n√£o somos m√°quinas e nem temos controle sobre tudo que nos acontece, mesmo que internamente… dentro de n√≥s mesmos. Afinal, somos mais do que nossa raz√£o √© capaz de compreender.

Logo, nossas experi√™ncias acabam sendo gravadas em nossas redes de mem√≥rias, mesmo que de forma involunt√°ria e, quando n√£o s√£o devidamente processadas, acabam se manifestando externamente de diversas formas. 

Como isso pode nos impactar no dia a dia?     

Quando n√£o tratamos essas mem√≥rias ou buscamos entend√™-las mais a fundo, ela pode acabar se transformando em outras coisas que v√£o desde uma ansiedade, estresse, um bloqueio… sens√≠vel em situa√ß√Ķes do dia a dia ou em doen√ßas f√≠sicas e psicol√≥gicas.

Nem sempre a mem√≥ria em si pode ser a causadora dessas quest√Ķes, mas elas podem ser o ponto de partida para a√ß√Ķes, sensa√ß√Ķes e pensamentos at√© ent√£o desconhecidos e que, tamb√©m, possuem solu√ß√Ķes desconhecidas para n√≥s.    


Por isso, quando se inicia um tratamento psicol√≥gico, √© muito importante fazermos um resgate da vida do(a) cliente para entendermos o que pode estar ou n√£o relacionado √† queixa que o(a) fez nos procurar. Por meio de sua pr√≥pria mem√≥ria podemos alcan√ßar a dor e, consequentemente, os tratamentos para a solucionarmos. 

O que fazer para processar nossas memórias

Como tudo em nossas vidas, não existe a fórmula do sucesso para sabermos como lidar com o que nossa mente guarda ou não, a chave está no autoconhecimento, em saber o que pode ou não impactar em você e como processar aquilo.

Claro, esse processo √© muito complexo e, al√©m de ser importante ter ajuda para coloc√°-lo em pr√°tica, √© de merecimento de qualquer pessoa. N√£o saber exatamente como lidar com tudo isso √© muito natural, uns podem ter mais facilidade que outros(as), mas todos(as) podem ser igualmente capazes. 

E hoje a psicologia conta com ferramentas como o Brainspotting, o EMDR e a AIM que s√£o muito mais eficazes para trabalhar, descongelar e modificar esses padr√Ķes de mem√≥ria.¬†¬†

No fim das contas, √© bem prov√°vel que exista alguma rela√ß√£o traum√°tica ligada a determinadas mem√≥rias por tr√°s das quest√Ķes a serem tratadas, e √© importante passar a tentar entend√™-las, inclusive, com a ajuda do atendimento terap√™utico. Buscarmos ser o melhor para n√≥s mesmos √© o caminho para sermos melhores, tamb√©m, para o mundo.

Curioso como tudo que nos acontece pode ser mais profundo do que imaginamos, n√£o √© mesmo? Que tal conhecer um pouco mais sobre sa√ļde e bem-estar psicol√≥gico? √Č s√≥ clicar aqui e ficar ligado(a) em nosso blog e redes sociais.¬†

Mês da Consciência Negra: por mais igualdade sempre

Mês da Consciência Negra: por mais igualdade sempre

O ano de 2020 marcou pra sempre a hist√≥ria da humanidade, certamente o mundo n√£o ser√° o mesmo depois de tudo que vivemos nos √ļltimos meses. E entre tantos fatos marcantes, hoje o destaque √© relacionado √† grandeza da luta contra o racismo ao redor do planeta. 

Movimentos antirracistas de vários países saíram às ruas e ecoaram o grito por justiça, igualdade, respeito e liberdade em todos os continentes. E, claro, tudo isso chamou a atenção de milhares de pessoas para reverem suas condutas no dia a dia.

A psicologia e o seu lugar de fala

Bem importantes, essas a√ß√Ķes trouxeram diversas quest√Ķes √† tona, inclusive no que se diz respeito √† sa√ļde mental da popula√ß√£o negra, que merece muita aten√ß√£o de todos n√≥s! Afinal, √© ineg√°vel que, por muitas d√©cadas, os cuidados com o bem-estar psicol√≥gico n√£o tiveram a acessibilidade necess√°ria.

E ainda nos dias atuais é importante se adequar e atentar-se à essa realidade da desigualdade racial e na forma como ela impacta no psicológico de mulheres, homens e crianças negras. Ter esse entendimento social é essencial para realização de atendimentos justos e que possam realmente proporcionar mais qualidade de vida às pessoas.

Ent√£o, o primeiro passo √© sempre ligado √† compreens√£o e, em seguida, ao entendimento de que pessoas de ciclo sociais e raciais diferentes t√™m anseios e sofrimentos, tamb√©m, diferentes. 

Obviamente, esse tipo de entendimento n√£o vem de um dia para o outro, assim como a pr√°tica de colocar essa compreens√£o al√©m da teoria nos atendimentos. √Č necess√°rio um aprendizado continuo, continuo mesmo, que n√£o tem prazo para acabar. Assim como a quebra de conceitos j√° estabelecidos e que n√£o condizem com a realidade das pessoas.  

Racismo x antirracismo 

Outro ponto importante a ser destacado em meio a esse debate √© o de se levantar a bandeira antirracista, muito al√©m de simplesmente defini-lo como algo ou atitude ruim, √© importante mudar nossa vis√£o e h√°bitos para, assim, porpor uma sociedade igulit√°ria. 

Ser contra o racismo n√£o tem, de fato, nada a ver com quest√£o ideol√≥gica ou de vida, √© um dever social de todo indiv√≠duo, afinal, independentemente de quaisquer circunst√Ęncias, todos merecem respeito.     

E não importa qual seja o dia Рe nem precisamos esperar este simbólico 20 de novembro, é fundamental que todos e todas se unam à voz de quem luta, acima de tudo, por igualdade e respeito!

Que tal fazermos um exerc√≠cio de reflex√£o? Reflita sobre seus pensamentos e atitudes e busque identificar quais pontos podem ser melhorados na busca por uma sociedade realmente justa e igual a todos.   

Eu, por exemplo, fa√ßo isso o tempo todo e sempre me surpreendo com padr√Ķes repetidos que merecem revis√£o! E nesse caminho, uma das coisas que est√° ao meu alcance para ajudar na constru√ß√£o de um mundo melhor e mais igualit√°rio √© oferecer bolsas de estudos para a popula√ß√£o negra nos meus cursos.

Todos, de alguma forma, podem sempre fazer alguma coisa, desde pequenas atitudes √†s maiores, a mudan√ßa pode sim partir de n√≥s mesmos. 😉 

Apesar de tudo, ainda estamos na quarentena

Apesar de tudo, ainda estamos na quarentena

Voc√™ tamb√©m tem notado que muita gente j√° voltou √† ‚Äúvida normal‚ÄĚ mesmo com o mundo ainda estando em per√≠odo de pandemia? Muitas pessoas v√™m questionando o fato de parecer serem as √ļnicas a estarem ainda dentro de casa, seguindo as recomenda√ß√Ķes dos √≥rg√£os de sa√ļde.

E, al√©m da pr√≥pria quest√£o da Covid-19, essa volta antecipada das pessoas ‚Äúao normal‚ÄĚ acaba desencadeando uma ansiedade excessiva em quem ainda est√° respeitando a¬†quarentena, afinal, todos queremos ir para a divers√£o, mas ainda n√£o √© o momento ideal.

Miss√£o: ficar em casa       

Boa parte das atividades comerciais j√° voltaram de forma gradual, com funcionamento em hor√°rios alternativos, inclusive os estabelecimento voltados ao lazer, como bares, restaurantes e shoppings.

Entretanto, isso n√£o significa que j√° est√° tudo certo, √© necess√°rio cumprir uma s√©rie de normas para abrir e frequentar esses espa√ßos, que ainda devem ser evitados por quem faz parte do grupo de risco. 

As festas, reuni√Ķes e confraterniza√ß√Ķes em casa ainda n√£o s√£o aconselh√°veis, e o que voc√™ deve estar vendo em suas redes socais √© o contr√°rio de tudo isso. Mas, calma: voc√™ n√£o est√° sozinho(a) nessa! 

Como voc√™, ainda exitem milhares de pessoas que seguem rigorosamente as orienta√ß√Ķes de seguran√ßa, mas entendo, tamb√©m, que isso n√£o diminui sua ansiedade ou vontade de sair para se divertir.

Como agir neste momento? 

Cientistas e m√©dicos do mundo todo j√° deixaram claro que o momento ainda √© de alerta, alguns pa√≠ses que haviam controlado a prolifera√ß√£o do v√≠rus voltaram a ter grandes incid√™ncias e a √ļnica forma de combate √† doen√ßa continua sendo a mesma dos √ļltimos meses: o isolamento. 

Se voc√™ conseguiu se reencontrar nos √ļltimos meses e criar novas rotinas, organiza√ß√Ķes e ressignificar os momentos de trabalho e lazer, a dica √© manter o ritmo. Se as redes sociais tem lhe causado estresse e ansiedade, substitua elas por outras atividades por um tempo.

Troque-as por games, filmes, livros, atividades f√≠sicas ou cozinhar: o importante √© tentar descansar a mente e n√£o ficar lembrando que tem gente se aglomerando por a√≠. E, tenha certeza, no momento certo voc√™ vai se divertir nas ruas e em outros locais como tanto deseja e com sa√ļde.

Agora, se você ainda se sente deslocado(a) com o novo dia a dia, também está tudo bem! Essas mudanças tão bruscas em meio a tudo que vem acontecendo é realmente difícil de assimilar. O importante é respeitar o seu tempo, bem-estar e, claro, a quarentena.

Mais sa√ļde psicol√≥gica em casa

Diante deste cen√°rio, se cuidar por inteira(o) continua, como sempre, sendo muito importante para uma boa qualidade de vida. E isso inclui cuidados com o corpo, alma e mente. 

N√£o deixe de praticar atividades f√≠sicas, mesmo as mais simples, de casa. Conecte-se com o que √© importante pra voc√™ e cuide do seu aspecto psicol√≥gico, a√ß√£o que pode ser feita com sess√Ķes de terapia online e que tem o poder de potencializar seu bem-estar e te ajudar a enfrentar este momento e os processos decorrentes dele.
Para conhecer um pouco mais sobre a terapia online, basta clicar aqui. Afinal, o foco agora √© a sa√ļde de todos, inclusive a sua.