AJUDA HUMANITÁRIA PSICOLÓGICA: PREVENÇÃO DE TRAUMAS DE VÍTIMAS DA CATÁSTROFE DE NITERÓI 2010

Divulgando um Lindo Trabalho

AJUDA HUMANITÁRIA PSICOLÓGICA: PREVENÇÃO DE TRAUMAS DE VÍTIMAS DA CATÁSTROFE DE NITERÓI 2010

Uma equipe de vinte psicólogos treinados em ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS e mais cinco empresários e profissionais voluntários de São Paulo, Brasília, Blumenau, Goiânia e Rio de Janeiro, estará em Niterói, de 30 de abril a 2 de maio deste ano, para atender as vítimas da catástrofe ocorrida.

A iniciativa é fruto de parceiros entre as propostas técnicas e cientificas da F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde de São Paulo e toda a organização logística do Rotary Internacional de: Butantã, São Paulo; Alphaville, São Paulo; República, São Paulo e de Penha de Santa Catarina.

Este PROGRAMA DE AJUDA HUMANITÁRIA PSICOLÓGICA às vitimas de catástrofes, tem recebido parcerias da FIESC, do SESI e da FAB, além das Secretarias de Saúde de Guaraciaba, de Blumenau, de Ilhota e Gaspar em Santa Catarina e de São Luiz, Rosário, Trizidela e Pedreiras no Maranhão. Desta vez temos algumas parcerias de Universidade Federal Fluminense, do Grupo Tendas, do Delphos do Rio de Janeiro e da Associação de terapia familiar do Rio de Janeiro e da FEBRAP.Este é o sétimo Programa de Ajuda Humanitária psicológica que este grupo desenvolve desde 2008. Cerca de 4.200 pessoas já foram favorecidas com este trabalho.

Na catástrofe de Niterói ocorrida em 2010, as Secretarias de Saúde, junto à Defesa Civil, tomaram as providencias necessárias com os primeiros socorros, atendimentos e encaminhamentos desta situação de calamidade pública. Todavia, há seqüelas aparentemente invisíveis, que podem se sobrepor ao tempo, às novas moradias e reorganizações sociais, que são as marcas dos traumas que este tipo de catástrofe pode gerar, e que terão, neste Programa de Ajuda Humanitária Psicológica, uma prevenção primária para o que se denomina de Transtornos de Estresses Pós-Traumáticos – TEPT. Depois de quatro meses a até quatro anos, podem surgir sintomas de TEPT em crianças, adolescentes, adultos e idosos; traduzidos em dificuldades de aprendizagem e concentração; problemas nas áreas do sono e da alimentação; quadros de pânico e de depressão; uso abusivo de álcool e de drogas; atitudes de perda de fé e esperança na vida, idéias e tentativas de suicídio entre outros quadros psicológicos e psiquiátricos.

O Programa de Ajuda Humanitária, coordenado pela Prof.ª Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri no que tange ao corpo científico, e pelo Sr. Reinaldo Franco, pela Srª rotariana Dulce Fiedler, a psicóloga Lilian Tostes do Delphos do Rio de Janeiro, Cristiana Weber da Associação de Terapia Familiar ao Rio de Janeiro e Dr. Jairo Werner da Universidade Federal Fluminense no corpo de logística; tem em seu grupo profissional, psicólogos, médicos e especialistas, mestres, doutores e pós-doutores, com formação em Sociodrama Construtivista de Reconstrução em Catástrofes, Debriefing, Manual Grupal Integrativo, EMDR e Terapia Familiar Sistêmica. Juntos atendem grupos específicos de crianças, adolescentes, adultos e idosos, além de bombeiros, militares e médicos do SAMU. As intervenções, com planejamento estratégico piramidal, começam com atendimentos em grupos pequenos, que favorecem a triagem para as pessoas mais afetadas, que receberão atendimentos individuais. Estas ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS foram chamadas pela mídia de Blumenau, em 2009 de: ABRIGOS PARA ALMAS e inclui o treinamento de 20 horas, para psicólogos, da rede pública e do grupo de voluntariado rotariano, para a manutenção dos atendimentos à população. Já foram capacitados 39 profissionais em Santa Catarina/ Blumenau; 39 de Guaraciaba, 19 no Maranhão e agora há 40 inscritos em Niterói.

Haverá psicoeducação, com folhetos de primeiros socorros emocionais distribuídos na mídia, em escolas, no CRAS de Niterói.

Dia 2/05/10, das 14 às 16h, acontecerá o SOCIODRAMA CONSTRUTIVISTA DAS VOZES DAS VÍTIMAS DE NITERÓI, uma vivência psicoeducativa com palestras, aberta à comunidade em geral. Será na UFF de Niterói.

Componentes Neurofisiológicos do tratamento com EMDR

Neurophysiological ccomponentes of EMDR treatment

Isabel Fernandez, Roger M. Solomon,

Fonte: http://www.psicotraumatologia.com/pdf/neuroemdr.pdf

As pesquisas em EMDR apresentaram desenvolvimento significativo nos últimos 10 anos. O EMDR consiste em uma atividade de focalização dual (o uso de movimentos oculares ou outras estimulações rítmicas direita/esquerda, durante o foco em material traumático pessoal). Muitas hipóteses foram levantadas para explicar o funcionamento do EMDR e o porque de os resultados clínicos serem significativos. Uma das razões mais prováveis diz respeito ao fato de que parece existir um sistema inato de processamento de informações que é fisiologicamente configurado para facilitar a saúde mental, da mesma forma que o restante do organismo é delineado para curar a si mesmo quando lesado. Quando em funcionamento adequado, esse sistema transforma a informação perceptiva e emocional de um evento traumático em uma resolução adaptativa – informações úteis são armazenadas com afeto apropriado e permanece disponível para uso futuro. O despertar fisiológico e emocional derivado de um evento traumático pode distorcer os mecanismos de processamento da informação. O bloqueio do processamento impede a integração adaptativa por meio das vias noramais. O estímulo fisiológico parece ativar o sistema inato de processamento e pode estar relacionado aos mecanismos inerentes do armazenamento das memórias. O EMDR aparentemente intervém nas funções cerebrais, especialmente no sistema límbico e na amígdala, que já foram identificadas como regiões envolvidas nas experiências traumáticas.

Correlato fisiológico para o EMDR

Physiological correlates of eye movement desensitization and reprocessing

Ulf O.E. Elofsson, Bo von Sche`ele, To¨res Theorell, Hans Peter So¨ndergaard

Fonte: Journal of Anxiety Disorders 22 (2008) 622–634

O EMDR é um tratamento estabelecido para o transtorno de estresse pós-traumático (PTSD). Mesmo assim, seu mecanismo de funcionamento não é claro. Este estudo explorou os correlatos fisiológicos dos movimentos oculares, durante o EMDR, em relação às hipóteses atuais; distração, condicionamento, ativação de resposta orientada e mecanismo semelhante ao do sono REM. Durante a terapia de EMDR foram medidos: temperatura da ponta dos dedos, frequencia cardiaca, condutância da pele, nível de carbono expirado, saturação de oxigênio em oximetria de pulso, em homens com PTSD. A relação entre a alta e baixa frequência cardíaca (LF/HF) foram mensuradas como medida de balanço autonômico. A frequência respiratória foi calculada a partir dos traços de dióxido de carbono. A estimulação levou a mudanças no balanço autonômico, indicadas por queda da frequência cardíaca, condutância da pele e relação LF/HF, e aumento da temperatura de ponta do dedo. A frequência respiratória e a pressão expiratória final de dióxido de carbono aumentaram; a saturação de oxigênio decaiu durante a os movimentos oculares. Concluímos que os movimentos oculares durante o EMDR ativam sistema colinérgico e inibem o simpático. A reatividade foi similar com os parâmetros do sono REM.

Potenciais relacionados a eventos (ERPs) e tratamento com EMDR pra Transtorno de Estresse Pós Traumático

Event-related potentials and EMDR treatment of post-traumatic stress disorder

Fonte: Neuroscience Research 49 (2004) 267–272

Friedhelm Lamprecht, Christine Köhnke, Wolfgang Lempa, Martin Sack, Mike Matzke, Thomas F. Münte,

Dez pacientes sofrendo de Transtorno de Estresse Pós Traumático (PTSD) após um evento traumático grave foram avaliados por potenciais relacionados a eventos (ERPs) em um paradigma contendo padrões auditivos, alvos e novos tons. ERPs foram avaliados antes e depois de sessões de tratamento usando o EMDR. Comparado a um grupo controle que passou por um falso tratamento, os ERPs dos pacientes mostram uma redução no componente P3a nos registros pós-tratamento, sugerindo uma redução orientada para novos estimulos e reduzindo os níveis de excitação depois do tratamento. Além disso, uma avaliação psicométrica revelou a melhora dos sintomas de PTSD depois do tratamento.