Programa de Ajuda Humanitária Psicológica em Niterói

Nos dias 1° e 2 de maio, estive em Niterói participando do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica. Já escrevi sobre esse trabalho em outro momento aqui no blog, mas estar lá, conhecendo as metodologias de trabalho em grupo focadas em catástrofes e, principalmente, estar em contato direto com as vítimas foi realmente um oportunidade única. Além das vítimas que perderam suas casas e estão nos abrigos onde realizamos o trabalho, o próprio treinamento foi uma grande intervenção, já que a maioria dos profissionais voluntários eram de Niterói e do Rio. É claro que em menor grau, mas todos sofreram com os acontecimentos e estavam ávidos por ajuda e em ajudar. Muitos deles, inclusive, já estavam atuando e compartilharam o quanto essas novas ferramentas potencializarão e ajudarão a sistematizar o trabalho. Entretanto, o que ficou de mais forte para mim foi a seguinte pergunta: “Estou aqui ajudando em Niterói, mas o que tenho realmente feito sobre esse assunto em minha cidade?” É claro que pretendo voltar a outros lugares que necessitem de apoio. E ainda bem que aqui em Belo Horizonte não tivemos catástrofes daquelas proporções. Mas em vários momentos tivemos problemas que mereciam uma atenção especial. Então, que tal fazer alguma coisa?

A Psicoterapia como Homeostase Assistida: a ativação do processamento emocionail mediado pelo giro do cingulo anterior

Psychotherapy as assisted homeostasis: activation of emotional processing mediated by the anterior cingulate cortex

F.M. Corrigan

Fonte: http://intl.elsevierhealth.com/journals/mehy

Embora a psicoterapia tenha sucesso na alteração do distresse emocional, o mecanismo biológico pelo qual isto é alcançado não é objeto de intensa investigação neurobiológica. O processo de transformação consciente das emoções foi proposto [Mindfulness-Based Cognitive Therapy for Depression, The Guilford Press, New York, 2002] como fator chave para a prevenção da recaída da depressão e aqui essa hipótese é desenvolvida e estendida para outras condições nas quais o processamento das emoções parece estar obstruído ou desregulado. A Terapia Cognitiva, Psicoterapia Interpessoal, Psicoterapia Psicodinâmica, e a terapia comportamental dialética, de diferentes maneiras e ênfases, encorajam a tomada de conciência das emoções e seus fatores cognitivos e biográficos associados, e seu sucesso depdende do grau de ativação de processos internos de cura. No EMDR o alvo selecionado é trabalhado por processos endógenos que são facilitados e acelerados pelos movimentos dos olhos, estimulação auditiva ou tátil bilateral. A capacidade de se manter a atenção centrada no afeto e seus componentes viscerais, cognitivos e biográficos é tida como fator ativador de processos homeostáticos para resolução do distresse, o que é visto mais claramente no tratamento do TEPT com EMDR, na qual essa resolução pode ser intensa e rápida, enquanto a intervenção do psicoterapeuta é não-direcionada, embora de apoio e empatia, mas não de julgamento. Uma vez que o terapeuta tenha ajudado a formular as questões, o cérebro do paciente vai encontrando as resposta que precisa para resolver o distresse e todos os componentes do evento traumático, viscerais, cognitivos, afetivos ou interpessoais. O giro do cingulo anterior, especialmente os componentes dorsal e rostral, parece ser a chave neurobiológica para a eficácia da psicoterapia de alívio do distresse. Resumimos os relevantes estudos de neuroimagem funcional. Uma limitação dos primeiros estudos sobre emoção é que eles tenteram a empregar estímulos suaves para emoções discretas. Uma abordagem alternativa seria usar imagens cerebrais durante o reprocessamento de um evento desagrável que tem afetado profundamente a pessoa de modo a intensidade emocional associada poderia ser claramente nomeada e correlacionada a alterações no funcionamento cerebral.

Tratamento de dor idiopática facial após a colocação de implante

Treatment of idiopathic facial pain following implant placement

fonte: Ned Tijdschr Tandheelkd. 2010 Feb;117(2):75-8.

Mulher de 39 anos sofrendo de dor facial atípica crônica e queixas associadas a transtorno de estresse pós traumático. A dor se originou após uma remoção cirúrgica de uma raiz dentária residual em sítio de implante dentário e os sintomas de estresse começaram em consequência da dor. Eventualmente, esses problemas levaram a demissão no trabalho e a problemas familiares. Ela era incapaz de ir ao dentista para um exame periódico oral devido ao medo extremo. Tratamento farmacológico, acupuntura, homeopatia e hipnoterapia não melhoraram sua condição. Um tratamento que visou lidar com as memórias do tratamento oral usando do EMDR levou finalmente à resolução dos sintomas. Este estudo de caso demostra como um problema oral pode comprometer a vida do paciente e como a psicoterapia pode complementar o tratamento médico.