por Daniel Gabarra | nov 12, 2009 | blog, relação terapêutica

Em uma lista de profissionais de psicologia que participo, havia uma discussão sobre posturas “excessivamente técnicas” na condução de um caso psicoterapêutico. A fala de uma de nossas colegas me emocionou em especial, de forma que resolvi publicar no blog:
“Eu, ???????*, paciente, não busco exatamente um técnico, ou um terapeuta que tem puramente conhecimentos em procedimentos objetivos e/ou teorias; procuro muito mais aquele cujas vivências pessoais o tornam capaz de despertar em mim este “desejo de renovação”, o impulso para o equilíbrio e a maturidade para lidar com meus próprios sofrimentos. Para lidar com estes sofrimentos, quero um psicoterapeuta que tenha sim, alguns conhecimentos teóricos e que saiba (ou não), utilizar técnicas universalmente reconhecidas, mas que seja tão humano quanto eu. Felizmente, existem terapeutas assim: que têm seu jeito particular, pessoal, e que num toque de pura humanidade fazem a diferença entre uma pessoa escondida atrás de uma credencial, um autômato, um literato, uma enciclopédia, um manual de instruções. E, simplesmente, um bom profissional que com honestidade me consola, com transparência de idéias me alivia; que escuta, de fato, olha e vê minhas necessidades, num espaço onde há compreensão e aceitação, mútuas. Demonstrando que também tem emoções, me desarma de minhas defesas inúteis e, assim, proporciona confiança e conforto suficientes para que eu possa me reorganizar.
São referências como essas que me embasam para não fazer de minha profissão o agir sem emoções e com distanciamento excessivo, que é, talvez, o que muitas vezes caracteriza o ‘excessivamente técnico’ sobre o qual você falou.”
* O nome da terapeuta foi ocultado pois não consegue contatá-la para autorizar a divulgação.
por Daniel Gabarra | nov 9, 2009 | blog, psicodrama, qualidade de vida
Quando li o texto Da obrigatoriedade do sucesso, fiquei muito tocado. Realmente vivemos uma absurda pressão para sermos felizes, perfeitos e bem sucedidos. Toda essa cobrança pode nos fazer perder de vista nossa própria vida. Vivemos com olho em um futuro que devemos conquistar e perdemos a oportunidade de aprender com nossos próprios erros.
Mas o que será que temos em mãos? será que não estamos deixando de aproveitar o que temos hoje ao nos preocupar demais com o que “temos de ter”. Se vivermos o agora, podemos aproveitar nossos tropeços e observar que eles nos mostram a vida a partir de um novo ângulo. Que nós temos e podemos crescer com isso. Na verdade, hoje em dia, ainda aprendemos muito mais com a dor, mas mesmo assim desperdiçamos essas oportunidade ao querer esquecer o erro e olharmos novamente para um ideal.
Com tudo isso perdemos nossa criatividade e espontaneidade, concentrando-nos no que passou e no que dizem que temos que conquistar. Mas será que realmente temos? Temos mesmo é que viver melhor o nosso dia, com o que temos. Sonhando sim, e muito. Mas sonhando um futuro com os pés no presente para podermos construir um caminho real e feliz até lá, aproveitando cada momento desta caminhada. Pois é na caminhada que está a vida.
por Daniel Gabarra | nov 5, 2009 | blog, crp, emdr, relação terapêutica, resposta terapêutica

Como o EMDR* é uma técnica relativamente nova, principalmente no Brasil, ainda não existia nenhum parecer ou posição do Conselho de Psicologia que validasse ou recomendasse o seu uso, apesar do emprego por parte psicoterapeutas de renome em todo o país, bem como em Programas de Ajuda Humanitária como na catástrofe em Florianópolis, no final de 2008. Há poucas semanas foi divulgado o primeiro parecer favorável ao uso do EMDR no Brasil. Temos que entender que este é um cuidado importante do Conselho de Psicologia em verificar a consistência teórica e prática das técnicas antes de validá-las. Lembro que apesar da literatura brasileira ainda ser escassa em relação ao tema, nas consultas de revistas internacionais indexadas, encontramos diversos artigos comprovando a eficácia do EMDR. Está na hora de produzirmos mais com base em trabalhos realizados no Brasil!!!
O parecer pode ser visto na integra aqui
por Daniel Gabarra | out 30, 2009 | blog, qualidade de vida

Quantas vezes adiamos coisas que queremos fazer porque surgiu algo pra resolver? Deixamos de estar próximos às pessoas que amamos porque as atividades e demandas do dia a dia nos consomem?
O Livro, “Mais Tempo Mais Dinheiro”, de Gustavo Cerbassi e Christian Barbosa, apresenta uma boa forma de pensarmos a esse respeito com um olhar um pouco diferente, principalmente para quem está acostumado com o olhar da Psicologia e das Ciências Humanas.
É um bom exemplo, aplicado a finanças e organização do tempo, de o quanto não temos claro ou deixamos de lado nossos objetivo e de como agimos por demandas emergenciais, desviando o foco do que realmente queremos em nossas vidas. Vale a pena a reflexão!!!
por Daniel Gabarra | out 26, 2009 | blog, relação pais e filhos
Essa até parece uma frase comum, mas se pensarmos na criação de nossos pais (ou avós para os mais jovens), comida, o cuidar da casa e da família, eram responsabilidades exclusivas das mulheres. Pensando nisso, cada dia é mais fácil encontrarmos os homens assumindo as responsabilidades da criação dos filhos e da casa, tanto ou até mais, que as mulheres. Poderíamos dizer que esse é um avanço, uma conquista das mulheres. Será??
Acredito até que seja, mas não apenas das mulheres, mas dos homens também. O prazer e felicidade que um pai pode ter ao lado do seu filho e que até quase o final do século passado lhe era negado pois ele tinha a responsabilidade de ‘colocar dinheiro dentro de casa’ é uma dádiva para homem. Mas apesar da virada do século, muitos homens ainda não se deram conta do que estão perdendo. Acho sempre interessante parar para pensar.
Se você é pai, se sente próximo de seus filhos? Mesmo que sim, será que não poderia aproveitar ainda mais esses momentos?
Mas se você é mãe, acho que vale a pena pensar do mesmo modo, afinal de contas, não deixe que os papéis ditos ‘masculinos’ atrapalhem seu carinho e amor aos filhos.