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A força do vínculo cliente-terapeuta: um relato de experiência

Este artigo buscou examinar o relato de experiência de um processo psicoterapêutico em Brainspotting e foi feito por uma psicóloga de uma instituição que atende pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. 

O envio do relato foi pré-requisito para o processo de seleção de bolsas de estudo para participar da fase 2 da Formação em Brainspotting. Para evitar a identificação do paciente e preservá-lo, seus dados serão alterados.

Sobre o Brainspotting:

Brainspotting é uma metodologia de base cérebro-corpo-relacional, desenvolvida e ampliada por David Grand, PhD e terapeuta nova-iorquino com vasta experiência em trabalho com traumas. Ela articula o conhecimento dos processos de memória e autorregulação cerebral com a expressão corporal e com a perspectiva relacional da psicoterapia para produzir o melhor resultado terapêutico. Isso promove a autonomia das pessoas sobre seu próprio processo de cura.

Por se tratar de uma terapia que dá suporte ao processo natural de autorregulação do sistema nervoso, os resultados se destacam quanto, ao tempo de resposta, a profundidade e a generalização dos resultados alcançados. 

Sobre a formação em Brainspotting e a Bolsa de Estudos:

A Formação em Brainspotting é sistematizada no mundo todo a partir das diretrizes da Brainspotting Training Inc. No Brasil, uma das pessoas autorizadas para oferecer esse treinamento é Daniel Gabarra. Ele é graduado em psicologia pela UFSCar e sempre se preocupou com o compromisso social da psicologia. Devido a isso, foi oferecida a Bolsa de Estudos para a formação em Brainspotting, a fim de permitir o acesso dessa metodologia a populações que tradicionalmente não teriam. 

Inicialmente, a bolsa era oferecida apenas a profissionais da psicologia vinculados ao SUS, SUAS e ONGs, mas em 2020 ela foi ampliada para psicólogos negros, transsexuais, indígenas, entre outras populações que historicamente vivenciam a negação de seus direitos sociais1.

(nota de rodapé 1 do tipo parar sobre o 1 e aparecer o texto.) Para saber mais acerca do programa de bolsas, acesse: https://danielgabarra.com.br/bolsa

Relato de Experiência:

Serão utilizados os registros feitos pela profissional em atendimentos realizados pelo Instituto Psicologia Para Todos, entidade sem fins lucrativos que atende pessoas em vulnerabilidade econômica e social em Serra/ES. As frases entre aspas ora são da psicóloga, ora da paciente.

A paciente, Ana Júlia (nome fictício), tem 55 anos, é moradora de um bairro da periferia, casada há 38 anos e mãe de duas filhas, uma com 34 e outra com 32 anos de idade. Ela trabalha como atendente de farmácia de um município vizinho, e exerce essa atividade em desvio de função, já que foi contratada pela empresa de serviços de limpeza como copeira.

O primeiro encontro foi realizado no Plantão Psicológico online. Neste momento, ela relatou que tem “um quadro de depressão há mais de 30 anos, logo após o nascimento da primeira filha. Começou a ter tonturas, dores de cabeça e no corpo, além de nervosismo” . Na ocasião, ela foi levada para a Santa Casa de Misericórdia de Vitória/ES, tendo sido atendida por vários médicos no pronto atendimento. Segundo ela, “foi encaminhada para o neurologista e em seguida para um psiquiatra, sendo diagnosticada com depressão crônica”. Ela contou que fez tratamento psicoterápico com diversos profissionais, que não percebia resultado e que, portanto, tinha interrompido tudo. 

A paciente relatou usar as seguintes medicações: Clonazepam, Amitriptilina e Nortriptilina. Ela disse que “usou 17 tipos de medicações, não lembrando dos nomes, mas afirma que eram muitos e foram diminuindo com o tempo”.

Durante essa escuta inicial, ela se apresentou como uma pessoa bem humorada, com autocuidado e higiene preservados. Seu discurso, bem articulado, foi marcado por um tom depreciativo sobre si e sua vida. Repetiu várias vezes que não era capaz e que não conseguia:  “tudo é difícil comigo, nada dá certo, não vai mudar” . Mesmo que em um tom de brincadeira, ela usou várias vezes tais termos, enquanto falava e meneava a cabeça como quem está negando.

Sobre as relações familiares, mantendo o mesmo tom, falou positivamente apenas da relação com as filhas, pontuando categoricamente: “pelo menos isso, né?”. Deixou claro a sua descrença em mudanças significativas na sua vida e nas pessoas ao pontuar que quando casou, “achou que a vida seria diferente, porém, mesmo hoje que o esposo não bebe mais, nem  joga, ela acredita que ele, na verdade, não mudou. Ele é assim porque ele está doente” .

Foi investigado se ela sofreu maus-tratos pelos pais na infância e no casamento. Ela relatou que foi maltratada pelos pais e pelo marido, “que mentia muito, se envolvia com jogos, trazendo dificuldades para família e muitas discussões, assim como ciúmes”. A paciente negou ter sofrido agressões físicas e confirmou ter vivido agressões verbais e psicológicas constantes. Ao contar sobre isso, a paciente disse “sentir muitas dores e uma angústia que não tem explicação”. 

A terapeuta interveio com as questões “A sua vida é muito ruim? Não há nada de bom? Seu relacionamento com suas filhas é ruim?”, com o objetivo de fortalecer os aspectos positivos e de mudança relatados durante a sessão. A paciente foi encaminhada do plantão para um atendimento regular com a mesma profissional e orientada a fazer exercícios de respiração como técnica de relaxamento.

No segundo atendimento, a paciente, ao responder como tinha sido sua semana, utilizou uma frase negativa em um tom de brincadeira: “tudo é muito difícil doutora, lidar com as pessoas, confiar, isso dói muito, minha vida é só sofrimento”. Nesse momento, foi sugerido o processamento em Brainspotting, no qual a psicóloga questionou em que parte do corpo a paciente sentia essas dores, ao que Ana Júlia responde: “no corpo todo”. Ela falava gesticulando e agitando muito braços e pernas.

Foi utilizado o manejo de Brainspotting de Janela interna, que propõe para o cliente identificar, com o auxílio do terapeuta, uma direção dos olhos em seu campo visual com a qual o foco ou queixa (dor e sofrimentos) e a sensação corporal (dor no corpo todo) se intensificam, o que é denominado brainspot ou posição ocular relevante. 

Esse processo visou favorecer a sustentação do foco na queixa, a fim de potencializar a auto varredura do cérebro-corpo e, com isso, auxiliar a regulação afetiva da rede de memória em foco. Também buscou-se como referência o nível de ativação da queixa, ou seja, o quanto ela se sentia mobilizada com a questão em uma escala de zero a dez, na qual zero é nenhuma mobilização/ativação e dez, a máxima que ela pode imaginar. Essa escala é uma adaptação da SUDS (Subjective Units of Distress Scale, em tradução livre: Escala de Unidades Subjetivas de Desconforto), proposta por Joseph Wolpe.

Ana Júlia relatou ter uma SUDS inicial de valor 10 e estava muito agitada ao começar o processamento. Falou que a culpa era dela: “eu sou complicada mesmo, não consigo”. Nesse momento, foi feita uma intervenção da terapeuta: “porque que é tão importante acreditar que você é difícil?”. Depois, a seguinte fala com o objetivo de psicoeducação: “permita que as lembranças, pensamentos, coisas que você ouviu… não é porque você ouviu isso muitas vezes… que é uma verdade absoluta, e que você pode mudar isso se quiser. Acolha o que vier nesse momento, seja gentil com você, abrace você mesma. Sinta-se acolhida nesse momento”.

A partir desse momento, a paciente entrou em um processamento mais profundo, com longos momentos de silêncio e, com isso, pôde-se observar que a agitação foi diminuindo. Ela continuou balançando a cabeça, como foi descrito na primeira sessão, mas foi possível perceber, aos poucos, um relaxamento do tônus do ombro e da postura da cabeça. Com passar do tempo, o corpo estava com uma postura diferente e mais relaxada. Nesse momento, a terapeuta verificou o valor de SUDS e perguntou o quanto a questão ainda mobilizava a cliente, que respondeu que estava em sete. Foi então sugerido que a paciente continuasse com olhar para aquele brainspot e “acolhesse o que viesse naquele momento”. 

Ao se aproximarem do do final da sessão, a paciente foi questionada novamente quanto ao valor de SUDS. Respondeu que era três e, com isso, foi proposta uma técnica de respiração em conjunto com a continuidade do manejo de Brainspotting de Janela Interna. Após um tempo observando as mudanças no tônus muscular, na diminuição do menear da cabeça e na respiração, a terapeuta verificou novamente quanto isso a mobilizava a paciente, que respondeu “que não, que naquele momento ela estava tranquila, não havia nada” .

A sessão foi finalizada e foi explicado à paciente que se ela sentisse “alguma coisa”,  poderia ficar à vontade para contatar a terapeuta. Foi avaliado neste momento se a paciente estava bem para o fechamento da sessão, e ela “falou com tranquilidade que no início foi muito difícil, mas que se sentia bem, sem entrar em detalhes” .

Na terceira sessão, a paciente já apresentava uma postura muito diferente ao ser questionada se a semana havia sido boa. Ela falou que “as pessoas em casa e no trabalho estão comentando que ela estava diferente. Será, doutora?”. Ao ser perguntada sobre o que ela achava, falou que “não sabia, que era tudo muito difícil… que a vida é muito difícil” .

Disse que tinha algo muito importante para falar, “uma lembrança, que ela teve durante a semana, de algo que aconteceu na infância e que ela nunca havia falado com ninguém, mas que precisava falar… e sentia um desejo incontrolável de falar sobre isso” . A terapeuta explicou que “às vezes essas coisas acontecem, às vezes as lembranças não vêm na sessão, mas depois”. Então, ela relatou que “no dia seguinte à sessão teve muita dor de cabeça pela manhã, mas que a dor foi diminuindo ao longo do dia e que tinha sido a melhor semana  sua vida”. 

Continuou contando sobre uma tentativa  de abuso na infância. Ao relatar essas lembranças, ficou muito agitada e se emocionou, ficando com os olhos vermelhos e chorando. Ana Júlia foi acolhida pela terapeuta, que lhe disse “que não tinha sido culpa dela, que o comportamento do tio… a responsabilidade pelo comportamento de um adulto é sempre do adulto, nunca da criança, e que aquele comportamento não tinha a ver com ela” . 

A paciente se estabilizou e passou a contar sobre sua vivência com os pais e os irmãos, que também a agrediram física e verbalmente: “eu apanhava por tudo, tudo era responsabilidade minha, tudo era minha culpa”. Falou de suas dificuldades de aprendizagem e de como isso era utilizado como motivo para apanhar sempre, e relatou que apanhava por “qualquer outra coisa”. Disse que era uma pessoa difícil. “Como confiar nas pessoas, mesmo nos irmãos? Quando casei, esperava que seria diferente a vida, o que não aconteceu”.

Foi questionado à paciente onde ela percebia essa desconfiança e insegurança no corpo. Disse que “mobilizava muito, fazendo com que sentisse um peso muito grande nos ombros, mas também outras partes do corpo”. Questionada sobre o valor de SUDS, respondeu que 10. Nesse processamento, foi possível perceber uma mudança significativa desde o início. Em vez de falar “quanto era difícil”, só perguntou “será que consigo?”. Ao longo do processo, diminuiu o menear da cabeça, o que sugeriu que estava mais relaxada. Ana Júlia pareceu mais entregue ao processamento, pois iniciou com um valor de SUDS dez e terminou com um zero. O valor zero persistiu mesmo quando lhe foi solicitado que entrasse em contato com qualquer mobilização que a questão ainda pudesse provocar nela. Ao final da sessão, ela disse que “foi muito bom, diferente da outra vez. Acho que é muito bom poder falar com alguém dos problemas e do que aconteceu”.

Nos quarto e quinto atendimentos, foram realizados novos processamentos com Brainspotting, tendo como foco o sentimento de culpa da paciente. Sempre latente em seus relatos, esse sentimento foi trabalhado no contexto de suas preocupações relacionadas à família, principalmente a sua irmã, que estava doente e que não podia, então, exercer o papel que costumava fazer de cuidadora da mãe delas.

No sexto atendimento, a paciente parecia bastante animada. Contou espontaneamente sobre suas mudanças, relatando que foi à consulta com a psiquiatra e que a médica observou diferença entre um atendimento e outro, como não precisar da ajuda da filha para falar, pois não chorava mais. A dosagem da medicação foi reduzida pela psiquiatra. 

Ana Júlia reforçou como as pessoas do trabalho e da família continuavam percebendo essa diferença. Durante o atendimento, a paciente foi menos enfática ao citar sua incapacidade, sugerindo uma mudança no padrão de comportamento, “de se julgar uma pessoa difícil, de que tudo é sua culpa e é que as coisas não mudam ou são quase impossíveis de mudar”. A paciente falou de medo, insegurança, desconfiança dos outros e de si mesma, entre outros sentimentos e comportamentos. 

 O manejo em Brainspotting, ao propor autorregulação a partir da sintonia dual, potencializado pela posição ocular relevante, fortaleceu a aliança terapêutica estabelecendo a confiança necessária para o relato da memória traumática. A paciente chegou a afirmar que “desde a primeira vez, se sentia mais leve e conseguia falar de coisas que ela nunca havia falado para ninguém, e como é bom fazer esse processamento sem precisar falar”. 

A paciente continua sendo atendida pelo Instituto Psicologia Para Todos e, apesar de apresentar um quadro que sugere humor rebaixado, tem se apresentado bem humorada durantes as sessões, com insights positivos em relação a si e comportamentos mais adaptativos. Ela relatou que estar grata pelo atendimento, que passou ter confiança no processo psicoterápico, e que estava satisfeita com o atendimento.

Alessandra de Freitas Dias de Jesus atua como Psicóloga Clínica, Terapeuta em Brainspotting; MBA em Serviço Social e Políticas Públicas pela Faculdade Cândido Mendes; Pós-Graduada em Saúde Coletiva pela FAVENI; Fundadora do Instituto Psicologia Para Todos, uma ONG criada em 2017 com finalidade de tornar acessível o atendimento psicológico às pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social; Atuou durante 2 anos e meio na Secretaria de justiça do Estado do Espírito Santo (SEJUS). Hoje, além do atendimento clínico no Consultório e no Instituto, é Servidora Pública (DT), atuando no CRAS do Município da Serra-ES. 

Daniel Gabarra é especialmente um eterno aprendiz e acredita na melhora e cura tanto do sujeito quanto da humanidade. Nesse caminho ele se tornou Trainer em Brainspotting e PNL, Supervisor e Facilitador de EMDR, Especialista em Psicodrama, Terapeuta de AIM e constelação, flerta com Ayurveda e é graduado em Psicologia pela UFSCar.Tiago Noel Ribeiro é psicoterapeuta. Atuou quase 10 anos em serviços públicos de saúde, atualmente se dedica a clínica e a pesquisa de doutorado.

Ambiente de trabalho e o cuidado psicológico

Ambiente de trabalho e o cuidado psicológico

Você sabia que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, para cada 1 dólar investido em tratamentos para transtornos mentais por empresas aos seus funcionários, há um retorno 4 vezes maior em produtividade

E muito além disso, cuidar do bem-estar psicológico dos colaboradores já é visto como dever de milhares de instituições pelo mundo, afinal, um ambiente negativo e outras questões profissionais podem afetar a saúde mental dos funcionários!

Saúde mental e economia    

Para se ter uma noção, estima-se que 264 milhões de pessoas sofrem, por exemplo, com a depressão. E, claro, boa parte deste número muito expressivo possui trabalho fixo, ou seja, essas pessoas convivem e trabalham diariamente com essa disfunção psicológica

Ação que obviamente impacta diretamente no desempenho, convívio e produtividade profissional. Ainda em números, a OMS destacou que, por ano, a economia global perde 1 trilhão de dólares por conta da diminuição ou perda da produtividade causada, justamente, pela depressão.      

E a sua empresa, ela se preocupa com o bem-estar psicológico dos seus colaboradores? Os líderes do local onde você trabalha realizam ações que proporcionam mais saúde mental ou incentivam a busca pelo atendimento terapêutico?

Bom, existem pesquisas e dados, como os apresentados aqui, que comprovam essa importância, inclusive economicamente. Não à toa, o número de empresas que investem nessa questão não para de crescer. Em 2019, 49% das instituições possuíam iniciativas de promoção à saúde psicológica.   

O que demonstra essa importância, sem falar que, nos dias atuais, de acordo com a Secretaria da Previdência, as disfunções psiquiátricas são a terceira causa mais comum de afastamento do trabalho.

Muito além dos números e cifrões

Obviamente, essa questão não deve e nem pode possuir apenas relevância na questão financeira ou das estatísticas, estamos falando da saúde de seres humanos e nenhuma pode ter um valor estimado. 

As empresas devem sempre pensar na aliança entre os seus próprios interesses e suas responsabilidades com as pessoas que dedicam boa parte de suas vidas ao trabalho prestado às instituições.

Além disso, em diversas ocasiões, o próprio ambiente de trabalho pode ser o causador de problemas psicológicos, desde um pequeno desgaste a disfunções mais complexas. E se as empresas são responsáveis pela saúde física de seus colabores, deveriam, da mesma forma, se responsabilizarem e promoverem a saúde mental.   

As memórias que guardamos podem impactar em nossas vidas?

As memórias que guardamos podem impactar em nossas vidas?

É impossível não guardamos em nós mesmos nada do que passamos na vida, sejam as coisas positivas ou negativas, de forma consciente ou inconsciente, acabamos, sim, armazenado essas vivências em nossa mente, ação que pode acabar impactando em diversas questões no futuro e no presente. 

Desde a nossa personalidade, jeito de agir, disfunções físicas e psicológicas, fobias, medos, desejos e milhares de outras questões podem estar relacionadas às memórias que guardamos, mesmo aquelas que consideramos inofensivas.

Por que isso acontece?

Isso é muito comum, acontece com todas as pessoas, quase que literalmente. Afinal, não somos máquinas e nem temos controle sobre tudo que nos acontece, mesmo que internamente… dentro de nós mesmos. Afinal, somos mais do que nossa razão é capaz de compreender.

Logo, nossas experiências acabam sendo gravadas em nossas redes de memórias, mesmo que de forma involuntária e, quando não são devidamente processadas, acabam se manifestando externamente de diversas formas. 

Como isso pode nos impactar no dia a dia?     

Quando não tratamos essas memórias ou buscamos entendê-las mais a fundo, ela pode acabar se transformando em outras coisas que vão desde uma ansiedade, estresse, um bloqueio… sensível em situações do dia a dia ou em doenças físicas e psicológicas.

Nem sempre a memória em si pode ser a causadora dessas questões, mas elas podem ser o ponto de partida para ações, sensações e pensamentos até então desconhecidos e que, também, possuem soluções desconhecidas para nós.    


Por isso, quando se inicia um tratamento psicológico, é muito importante fazermos um resgate da vida do(a) cliente para entendermos o que pode estar ou não relacionado à queixa que o(a) fez nos procurar. Por meio de sua própria memória podemos alcançar a dor e, consequentemente, os tratamentos para a solucionarmos. 

O que fazer para processar nossas memórias

Como tudo em nossas vidas, não existe a fórmula do sucesso para sabermos como lidar com o que nossa mente guarda ou não, a chave está no autoconhecimento, em saber o que pode ou não impactar em você e como processar aquilo.

Claro, esse processo é muito complexo e, além de ser importante ter ajuda para colocá-lo em prática, é de merecimento de qualquer pessoa. Não saber exatamente como lidar com tudo isso é muito natural, uns podem ter mais facilidade que outros(as), mas todos(as) podem ser igualmente capazes. 

E hoje a psicologia conta com ferramentas como o Brainspotting, o EMDR e a AIM que são muito mais eficazes para trabalhar, descongelar e modificar esses padrões de memória.  

No fim das contas, é bem provável que exista alguma relação traumática ligada a determinadas memórias por trás das questões a serem tratadas, e é importante passar a tentar entendê-las, inclusive, com a ajuda do atendimento terapêutico. Buscarmos ser o melhor para nós mesmos é o caminho para sermos melhores, também, para o mundo.

Curioso como tudo que nos acontece pode ser mais profundo do que imaginamos, não é mesmo? Que tal conhecer um pouco mais sobre saúde e bem-estar psicológico? É só clicar aqui e ficar ligado(a) em nosso blog e redes sociais. 

Mês da Consciência Negra: por mais igualdade sempre

Mês da Consciência Negra: por mais igualdade sempre

O ano de 2020 marcou pra sempre a história da humanidade, certamente o mundo não será o mesmo depois de tudo que vivemos nos últimos meses. E entre tantos fatos marcantes, hoje o destaque é relacionado à grandeza da luta contra o racismo ao redor do planeta. 

Movimentos antirracistas de vários países saíram às ruas e ecoaram o grito por justiça, igualdade, respeito e liberdade em todos os continentes. E, claro, tudo isso chamou a atenção de milhares de pessoas para reverem suas condutas no dia a dia.

A psicologia e o seu lugar de fala

Bem importantes, essas ações trouxeram diversas questões à tona, inclusive no que se diz respeito à saúde mental da população negra, que merece muita atenção de todos nós! Afinal, é inegável que, por muitas décadas, os cuidados com o bem-estar psicológico não tiveram a acessibilidade necessária.

E ainda nos dias atuais é importante se adequar e atentar-se à essa realidade da desigualdade racial e na forma como ela impacta no psicológico de mulheres, homens e crianças negras. Ter esse entendimento social é essencial para realização de atendimentos justos e que possam realmente proporcionar mais qualidade de vida às pessoas.

Então, o primeiro passo é sempre ligado à compreensão e, em seguida, ao entendimento de que pessoas de ciclo sociais e raciais diferentes têm anseios e sofrimentos, também, diferentes. 

Obviamente, esse tipo de entendimento não vem de um dia para o outro, assim como a prática de colocar essa compreensão além da teoria nos atendimentos. É necessário um aprendizado continuo, continuo mesmo, que não tem prazo para acabar. Assim como a quebra de conceitos já estabelecidos e que não condizem com a realidade das pessoas.  

Racismo x antirracismo 

Outro ponto importante a ser destacado em meio a esse debate é o de se levantar a bandeira antirracista, muito além de simplesmente defini-lo como algo ou atitude ruim, é importante mudar nossa visão e hábitos para, assim, porpor uma sociedade igulitária. 

Ser contra o racismo não tem, de fato, nada a ver com questão ideológica ou de vida, é um dever social de todo indivíduo, afinal, independentemente de quaisquer circunstâncias, todos merecem respeito.     

E não importa qual seja o dia – e nem precisamos esperar este simbólico 20 de novembro, é fundamental que todos e todas se unam à voz de quem luta, acima de tudo, por igualdade e respeito!

Que tal fazermos um exercício de reflexão? Reflita sobre seus pensamentos e atitudes e busque identificar quais pontos podem ser melhorados na busca por uma sociedade realmente justa e igual a todos.   

Eu, por exemplo, faço isso o tempo todo e sempre me surpreendo com padrões repetidos que merecem revisão! E nesse caminho, uma das coisas que está ao meu alcance para ajudar na construção de um mundo melhor e mais igualitário é oferecer bolsas de estudos para a população negra nos meus cursos.

Todos, de alguma forma, podem sempre fazer alguma coisa, desde pequenas atitudes às maiores, a mudança pode sim partir de nós mesmos. 😉 

Apesar de tudo, ainda estamos na quarentena

Apesar de tudo, ainda estamos na quarentena

Você também tem notado que muita gente já voltou à “vida normal” mesmo com o mundo ainda estando em período de pandemia? Muitas pessoas vêm questionando o fato de parecer serem as únicas a estarem ainda dentro de casa, seguindo as recomendações dos órgãos de saúde.

E, além da própria questão da Covid-19, essa volta antecipada das pessoas “ao normal” acaba desencadeando uma ansiedade excessiva em quem ainda está respeitando a quarentena, afinal, todos queremos ir para a diversão, mas ainda não é o momento ideal.

Missão: ficar em casa       

Boa parte das atividades comerciais já voltaram de forma gradual, com funcionamento em horários alternativos, inclusive os estabelecimento voltados ao lazer, como bares, restaurantes e shoppings.

Entretanto, isso não significa que já está tudo certo, é necessário cumprir uma série de normas para abrir e frequentar esses espaços, que ainda devem ser evitados por quem faz parte do grupo de risco. 

As festas, reuniões e confraternizações em casa ainda não são aconselháveis, e o que você deve estar vendo em suas redes socais é o contrário de tudo isso. Mas, calma: você não está sozinho(a) nessa! 

Como você, ainda exitem milhares de pessoas que seguem rigorosamente as orientações de segurança, mas entendo, também, que isso não diminui sua ansiedade ou vontade de sair para se divertir.

Como agir neste momento? 

Cientistas e médicos do mundo todo já deixaram claro que o momento ainda é de alerta, alguns países que haviam controlado a proliferação do vírus voltaram a ter grandes incidências e a única forma de combate à doença continua sendo a mesma dos últimos meses: o isolamento. 

Se você conseguiu se reencontrar nos últimos meses e criar novas rotinas, organizações e ressignificar os momentos de trabalho e lazer, a dica é manter o ritmo. Se as redes sociais tem lhe causado estresse e ansiedade, substitua elas por outras atividades por um tempo.

Troque-as por games, filmes, livros, atividades físicas ou cozinhar: o importante é tentar descansar a mente e não ficar lembrando que tem gente se aglomerando por aí. E, tenha certeza, no momento certo você vai se divertir nas ruas e em outros locais como tanto deseja e com saúde.

Agora, se você ainda se sente deslocado(a) com o novo dia a dia, também está tudo bem! Essas mudanças tão bruscas em meio a tudo que vem acontecendo é realmente difícil de assimilar. O importante é respeitar o seu tempo, bem-estar e, claro, a quarentena.

Mais saúde psicológica em casa

Diante deste cenário, se cuidar por inteira(o) continua, como sempre, sendo muito importante para uma boa qualidade de vida. E isso inclui cuidados com o corpo, alma e mente. 

Não deixe de praticar atividades físicas, mesmo as mais simples, de casa. Conecte-se com o que é importante pra você e cuide do seu aspecto psicológico, ação que pode ser feita com sessões de terapia online e que tem o poder de potencializar seu bem-estar e te ajudar a enfrentar este momento e os processos decorrentes dele.
Para conhecer um pouco mais sobre a terapia online, basta clicar aqui. Afinal, o foco agora é a saúde de todos, inclusive a sua.